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Lula, Princípios, Paradigmas e Futuro

por Coluna do Leitor — publicado 22/12/2010 09h53, última modificação 22/12/2010 16h22
O leitor Gustavo Brechbühler, ao vislumbrar como será o Rio de Janeiro daqui a 30 anos, percebeu que é possível, ainda que de leve, resgatar a confiança meio perdida nos rumos do nosso País

Por Gustavo Brechbühler*

Vinha hoje ao Centro para mais um dia de trabalho. Muito calor e a cidade repleta de turistas. Praia de Copacabana pronta para as festas de final de ano. De longe já se vê a Av. Princesa Isabel e, logo na esquina, o antigo Hotel Meridien, onde já estão sendo instaladas as letras que marcarão o seu novo dono: ‘W’ de Windsor. Enfim, retoques finais para a sua inauguração.

Chega o Aterro do Flamengo, e logo se vêem as obras do antigo Hotel Gloria, atualmente Gloria Palace. Já no Centro, estaciono na Av. Chile, nº 500. No caminho até o escritório, passo pelos majestosos Venture Towers, dois arranha-céus ultramodernos, praticamente ocupados apenas pela Petrobras.

Em seguida, enxergo o prédio do BNDES, o prédio-sede da Petrobras, e o Largo da Carioca. Avanço pela Gonçalves Dias.

Ali, uma nova visão do futuro do Rio de Janeiro. Peguei-me a me imaginar vagando pelas Ramblas, pela Vieux Quebec, pelas ruas movimentadas de Amsterdam, pela velha Havana, tamanha a beleza dos prédios coloniais e centenários da Rua Gonçalves Dias: não deixam nada a desejar às belezas arquitetônicas das maiores capitais mundiais, sendo, verdadeiramente, um ótimo programa para o turista (salvo às 15:00 no verão escaldante carioca).

Enfim, aquela rua exclusiva de pedestres, em que do seu lado direito – no meu caminho -, se pode admirar a centenária Confeitaria Colombo, repleta de clientes, projetou-me inconscientemente para daqui a 30 anos; para um Rio de Janeiro, tão quente como esse de agora, porém, mais atraente, mais pujante, mais desenvolvido: um verdadeiro pólo e palco de desenvolvimento econômico, político e social mundial.

Ao andar pelas ruas do Centro do Rio, sentindo o burburinho da região em torno da Lapa, inclusive pelas manhãs (muito em função dos novos prédios do Tribunal Regional do Trabalho e comércio adjacente), é possível enxergar um pouco esse sentimento positivo que nos circunda.

A visão acima narrada, pelo menos para o Rio de Janeiro, é mostra indubitável de um ciclo virtuoso que se instalou por aqui.

Veja-se que nem sequer consideramos a política de segurança estadual, com a retomada de áreas de expressivo tamanho e importância para seus moradores. Era o mínimo que a população, ansiosamente, aguardava há anos.

Entretanto, ao vislumbrar como será o Rio de Janeiro daqui a 30 anos, é possível, ainda que de leve, resgatar a confiança, meio perdida, nos rumos do nosso País, em especial, nos rumos do Estado do Rio de Janeiro.

Falamos daqui, porque aqui estamos, vivenciando, ao menos, uma incontestável distinção de rumos.

Após 8 longos anos de Governo Lula, por mais que tenham sido exitosas certas experiências, como o Programa Bolsa Família, a gestão dos Ministros Gil e Juca Ferreira para a Cultura, a manutenção de uma extremamente responsável política econômica, acreditamos que o grande mérito desse Governo tenha sido outro: enxergar uma perspectiva de futuro, dar-nos um horizonte positivo no médio-longo prazo.

Parafraseando o próprio Lula, porém com um pouco mais de temperamento, há muito tempo no País não se tinha um Projeto Nacional de Desenvolvimento: uma estrutura orgânica, sistêmica, legal e sustentada de projetos básicos para o engrandecimento do País como Nação.

O primeiro desses pilares reside na incontestável necessidade de recuperarmos o tempo perdido no que diz respeito à qualidade – mínima - de vida que precisamos conferir aos nossos cidadãos.

O Professor Ricardo Lobo Torres disserta como ninguém sobre o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e sobre o Direito ao Mínimo Existencial, e é com esse viés inexorável, que se alça, finalmente, à condição de paradigma básico e elementar, um conceito fundamental de melhoria, quiçá imprescindível e tão óbvio, decerto muitas vezes esquecido: a erradicação da fome.

Ao colocar, de fato, o tema como foco central da política pública, elemento nuclear das ambições do Governo Federal, lançou-se a pedra fundamental para a retomada da nossa dignidade, como Povo e como Nação verdadeiramente Brasileira.

Há muito andava esquecido o orgulho de ser brasileiro. Parecia que todos desejavam viver nutro País, com outro enredo. Entretanto, nossos dias e os que virão parecem ser melhores.

Em pleno século XXI não há mais espaço para que o Brasil ainda conviva com o tema fome, como sendo uma preocupação apenas da FAO, da ONU, e de outras organizações internacionais. Não há mais tempo para discussões intermináveis, é preciso ação e de rápida eficácia.

A eleição de Dilma Rousseff foi mostra cabal e sincera de que esses tópicos não podem mais ser tratados como moeda de troca política, como temas periféricos do corporativismo e da promiscuidade parlamentar. A idéia de busca incessante e irrefreável pela erradicação da fome, com certeza, colocará o Brasil, num patamar ainda mais próximo daquele que hoje se encontram os países, ditos de Primeiro Mundo.

Repare-se que são apenas ajustes pontuais, porém dificílimos de serem alcançados e superados. São esses índices que nos separam dessas grandes potências. Assim, nesse balaio de problemas sistêmicos, citamos a corrupção endêmica, a impunidade, a malversação de recursos públicos, baixos índices de desenvolvimento humano e, principalmente, a falta de seriedade e de ética do povo.

É irreal pensar em mudanças estruturais, sem que se atravesse esse pantanoso e revolto terreno para a melhoria do nível ético do povo brasileiro.

Esse upgrade moral só virá, como aliás bem apregoa o Senador Cristovam Buarque, no que foi encampado pela ex-senadora Marina Silva, através de uma Revolução na Educação. Os Tigres Asiáticos fizeram esse dever de casa e hoje colhem os frutos dessa Revolução.

A Educação é que, sem sombra de dúvida, promoverá essa limpeza ética.

Ao resgatar a ética do povo, teremos alcançado elevado conceito técnico da moral, em toda a sua essência e plenitude, onde não se admitirá mais a convivência com uma situação mais do inaceitável, qual seja, a presença de pessoas que ainda morrem, literalmente, de fome, no sertão nordestino e nos rincões das aldeias ribeirinhas do Norte do País.

A realidade das diferentes regiões do País, desconhecida para a ampla maioria da população urbana dos grandes centros das capitais, demandou que fosse prescrito, efetivamente, um Plano de Desenvolvimento Nacional, para que metas básicas como a que acima se pontuou sejam alcançadas na justa medida do compromisso natural e coletivo assumido.

Esse compromisso nacional em torno da realização exitosa das Olimpíadas e da Copa do Mundo, por exemplo, contribuem para a consagração de um ideal pátrio de interesse comum. E agregado a esse compromisso nacional, traz-se à reboque, inevitavelmente, o resgate pelo orgulho de ser Brasileiro.

Nesse panorama devemos nos orgulhar das nossas empresas: Petrobras, Vale, Odebrecht, Queiroz Galvão, Gerdau, Ambev, dentre tantas outras que enobrecem o nome do Brasil no exterior. Como não deixar de nos orgulhar, também, com as vitórias da seleção de Vôlei, pelas conquistas aquáticas de Cesar Cielo, os saltos de Fabiana Murrer, os pulos de Jadel Gregório dentre tantas outras conquistas individuais de relevo.

Veja-se, portanto, que além de esportistas e empresas também médicos, advogados, pesquisadores, matemáticos, cirurgiões, economistas e arquitetos engrandecem o nome do Brasil no exterior.

Assim, tal como ressaltado pelo próprio Presidente Lula, a política externa pautada nesses últimos anos, muito embora bastante criticada, teve o grande condão de extirpar de vez o velho e conhecido complexo de vira-lata que acompanhava o pensamento sobre o nosso país e a nossa gente. Fechávamos os olhos à importância mundial conquistada, perpetuando um irreconhecível e inconsciente complexo de inferioridade, não compartilhado pelos demais povos. Felizmente isso acabou.

Diante de tudo o que vivemos nesse pedaço de século, é possível destacar que o Brasil hoje tem caminhos bem nítidos e corretamente traçados: sabemos o que queremos e estamos em busca de realizações plenas e materiais, seja na esfera política, seja na esportiva.

Sendo assim, sabemos muito bem que temos que concluir as reformas de infra-estrutura básica para o resgate da cidadania em áreas carentes, outrora sempre esquecidas pelas políticas públicas demagógicas. Sabemos também que temos que finalizar a contento as obras e construções de estádios, ginásios e prédios para receber as Olimpíadas e a Copa do Mundo.

Sabemos, ainda, que precisamos melhorar a eficiência dos gastos públicos correntes, tornando-os o mais eficiente possível, dentro da melhor relação-custo benefício.

Sabemos, outrossim, que precisamos resgatar uma parcela numerosa da população da informalidade. Sabemos, ainda, que precisamos de uma economia pujante para conferir segurança aos que já estão empregados, e aumentar, ainda mais, o numero de vagas, para empregar também uma massa humana de desempregados.

Sabemos, por óbvio, que atingimos níveis alarmantes de descontrole da gestão pública da Saúde, e que será preciso um incomensurável esforço conjunto para conferir dignidade no atendimento promovido pelos Hospitais da Rede pública, sem deixar de falar em universalidade de atendimento.

Sabemos, por fim, que não há mais tempo e espaço a se perder com discussões etéreas, inúteis e intermináveis sobre a melhor forma, jeito e condição para controlar os índices alarmantes de violência urbana. Ficou bastante claro que o tema da segurança pública, aparentemente, deixou de ser assunto meramente demagógico, sendo alçado à condição de meta política ampla e irrenunciável, com o bônus, ainda, de ser ótima fonte de votos.

Após 8 anos, percebemos, ao menos, uma mudança nos paradigmas, ou seja, na visão daquilo que se espera do Brasil a médio e longo prazo: a conclusão das obras do PAC, do PAC 2, das Metas do Poder Judiciário, a atuação do CNJ, as reformas políticas e tributária, e tantas outras.

Os tópicos acima são exemplos de projetos nacionais que não podem mais ser abandonados e renunciados. Quer nos parecer que não o serão, justamente por terem sido alçados à condição de referências supranacionais, onde cada um de nós deve ser e se sentir, minimamente responsável, pela sua execução e conclusão.

As linhas mestras foram traçadas, restando-nos, tão somente, continuar tocando e fiscalizando as pretendidas realizações para as próximas décadas.

Acredito que o grande papel do Presidente Lula nesse interregno foi o de conscientizar o papel de cada um, o de fazer com que acreditemos num Projeto Nacional de Desenvolvimento, de execução, fiscalização e comprometimento orgânico e sistêmico com um bem comum.

Essa reorientação de traçado, além de resgatar nossas ambições como ente político relevante na tomada das decisões de políticas mundiais, também nos prepara para assumirmos esse papel relevante de pioneiros na propagação e condução de políticas nacionais de desenvolvimento sustentável, que certamente servirão de modelo para outras nações mais pobres.

O simples fato de tomarmos a consciência dessa mudança de paradigmas, calcada na percepção da importância e relevância que o Brasil assumiu no cenário mundial, demonstra, outrossim, que fomos agraciados sim com uma herança bendita.

Ainda que a tarefa de readequação ideológica tenha sido mesmo hercúlea, a responsabilidade pela execução desse Projeto Nacional é ainda maior, pois nas palavras de Nietzche “Fazer grandes coisas é difícil; mas comandar grandes coisas é ainda mais difícil”.

Sendo assim, engana-se, pois, aquele que teima em refutar a idéia de que o Presidente Lula seja um líder nato, simplesmente por acreditar que para tanto é preciso ser o mais inteligente, o mais letrado, o mais culto.

Joe Namath, ex-jogador de futebol americano do New York Jets, afirmou que para ser líder “você tem que fazer as pessoas quererem te seguir, e ninguém quer seguir alguém que não sabe aonde está indo”, o que comprova a idéia de que a população brasileira, de fato, comprou esse Projeto Nacional de Desenvolvimento acima apontado.

Portanto, que os ventos do desenvolvimento e do progresso continuem nos bafejando e muito boa sorte à Presidenta Dilma. Ao invés de torcer contra, vamos todos juntos executar juntos esse Projeto de Vida.

* Advogado, formado pela UERJ/RJ, em 2002, com especialização em Direito Financeiro e Tributário.

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