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Política

Será?

Lula é o cara?

por Celso Marcondes — publicado 06/04/2009 17h31, última modificação 19/08/2010 17h32
O político mais popular do mundo disse que Lula é o político mais popular do mundo. Na frente de todo mundo, em pleno momento descontração da reunião do G-20.

O político mais popular do mundo disse que Lula é o político mais popular do mundo. Na frente de todo mundo, em pleno momento descontração da reunião do G-20.

Falou para que todos ouvissem: “esse é o cara” e virou um acontecimento internacional, vídeo dos mais acessados da internet. Veja no youtube, se é um dos raros que ainda não viu.

Obama, destilando simpatia, ainda disse: “adoro esse cara”, seguido de um afetuoso cumprimento. O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, ao lado deles, baixou um pouco a bola: “é o mais popular político veterano do mundo”, disse, tentando colocar as coisas no devido lugar, pois ninguém discute a popularidade, inédita na história, do amável presidente norte-americano recém empossado.

Na entrevista feita na sequência, Lula, do alto da sua glória, manteve o clima simpático. Qualificou as palavras ouvidas como mera gentileza, dizendo que Obama poderia “ser confundido com um baiano”, ressaltando que ele era o primeiro presidente dos EUA “que tem cara da gente”.

Falando das decisões do G-20, foi rápido no gatilho também para comentar a mudança radical de posição do País diante do FMI: “Vocês não acham chique?”, lembrando que até pouco tempo nós devíamos para o organismo internacional e agora somos um dos seus cinco principais credores.

No dia anterior já havia ficado “bem na foto” que reunia todos os líderes mundiais presentes, ao lado da rainha da Inglaterra e na frente de Obama. Também para todo mundo ver e alguns morrerem de inveja.

Mas, o que fica deste episódio? Lula é mais importante do que muita gente pensa ou Obama é ainda mais simpático do que imaginávamos?

Não vou fazer coro com os deslumbrados, nem fazer ginástica para tirar a importância do caso. Mas, insisto, a vida é, muitas vezes, demarcada por símbolos, por imagens fortes, por fotos ou vídeos que correm o País ou o mundo e que, de repente, passam a fazer parte dos comentários dos bares e dos elevadores. Eventos, até fugazes, que ficam nas cabeças de muita gente durante muito tempo, para o bem ou para o mal (o “dólar na cueca”, o “Land Rover”,..).

Este foi um destes momentos e da minha parte acho que pode indicar que o Brasil passa a ter no mundo uma importância política maior. Já estava perceptível há algum tempo, para quem quisesse ver, que o País passou a ocupar um maior destaque na esfera econômica diante deste cenário de crise global. Mas um novo papel político começa ser reconhecido a partir de agora. Pode, repito, pode, ter sido um marco, a história dirá.

Dia 19 de março eu escrevia aqui neste espaço a propósito da recepção calorosa que Obama tinha oferecido a Lula nos States: . Agora aconteceu de novo. Apesar de continuar achando que muita coisa poderia ser melhor neste governo que caminha para o fim.

Eu sei que, como daquela vez, alguém vai escrever dizendo que é deslumbramento imbecil e vai descarregar críticas ao governo. Vai reduzir o episódio ao mínimo e fazer chacota com o ego de Lula ou com a (mui pequena) parte da imprensa brasileira que não passa o dia procurando o ponto para bater no governo. A eles, apenas uma pergunta prévia: porque a “gentileza” de Obama não foi dirigida aos mandatários dos outros países emergentes que estavam na mesma sala? Ou para a hermana Cristina?