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Política

Operação Janus

Lula é indiciado por corrupção em caso envolvendo sobrinho e Odebrecht

por Redação — publicado 05/10/2016 15h59, última modificação 05/10/2016 16h06
PF acusa ex-presidente de beneficiar Taiguara Rodrigues em contratos com a empreiteira Odebrecht
Taiguara Rodrigues dos Santos

Taiguara Rodrigues dos Santos durante depoimento à CPI do BNDES, em outubro de 2015

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira 5 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva em negócios da Odebrecht em Angola. Lula é acusado de ajudar a empresa Exergia, que tem como sócio Taiguara Rodrigues, sobrinho de sua primeira mulher (que já morreu), a fechar contratos de 20 milhões de reais com a empreiteira – ou 31 milhões de reais, em valores atualizados, segundo a PF.

Rodrigues, outro sócio da Exergia e sete executivos da Odebrecht, incluindo o ex-presidente Marcelo Odebrecht, foram indiciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com a PF, o pagamento ocorreu sem a devida prestação dos serviços de engenharia em empreendimentos de infraestrutura financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Angola.

Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, a Odebrecht recebeu cerca de 1,5 bilhão de reais do banco estatal para investir no país africano. Para os investigadores, a Exergia se limitava ao recebimento de propina, e parte dos valores teriam sido repassados a Lula.

Em nota divulgada nas redes sociais, a assessoria de Lula afirma que o ex-presidente sempre agiu dentro da lei e que nenhuma irregularidade foi encontrada nas contas dele ou de parentes.

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sua vida investigada há 40 anos, teve todas as suas contas e de seus familiares devassadas, seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado e não foi encontrada nenhuma irregularidade. Lula não ocupa mais nenhum cargo público desde 1º de janeiro de 2011 e sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar dois mandatos eleitos como presidente da República”, diz a nota.

O indiciamento é consequência da Operação Janus, deflagrada em maio deste ano. Na ocasião, o Ministério Público Federal informou que a operação investigava suposto “tráfico internacional de influência em favor da construtora Odebrecht”.

O relatório final da PF, que trata da operação e do indiciamento, foi enviado na terça-feira 4 ao MPF. O documento será analisado pelos procuradores e, caso o MPF aceite os argumentos, o ex-presidente Lula será denunciado à Justiça.