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Lula continua com tudo

por Celso Marcondes — publicado 02/06/2009 16h36, última modificação 19/08/2010 16h42
Em março passado escrevi artigo neste espaço dando conta da queda da popularidade do presidente Lula apontada por pesquisa do Instituto Datafolha, em pleno auge da crise econômica mundial. Eu chamava a atenção para o alarde que o jornal fazia, dando manchete de capa e grandes títulos em quatro páginas de cobertura

Em março passado escrevi artigo neste espaço dando conta da queda da popularidade do presidente Lula apontada por pesquisa do Instituto Datafolha, em pleno auge da crise econômica mundial. Eu chamava a atenção para o alarde que o jornal fazia, dando manchete de capa e grandes títulos em quatro páginas de cobertura. Eram os seguintes:

“COM CRISE, CAI APROVAÇÃO DE LULA”.

“APROVAÇÃO A LULA CAI PELA 1.a. VEZ NO SEGUNDO MANDATO”

“PESSIMISMO COM O EMPREGO ATINGE RECORDE”

“SERRA LIDERA COM FOLGA, DILMA VOLTA A SUBIR”

Por conta de tanta euforia, eu dei o seguinte título ao meu artigo: “FESTA NA PAULISTA: LULA CAI”.

Neste domingo, 31 de maio, logo ao amanhecer, me deparo com o jornal divulgando nova pesquisa do instituto. Desta vez, com menor alarde. Ela aponta que a aprovação do presidente Lula subiu de 65% em março para 69% agora, voltando ao seu patamar recorde, de novembro de 2008. Com a crise, em março, seus índices de ótimo e bom haviam caído 5 pontos, agora recuperados.

Já a pesquisa do Instituto CNT/Sensus divulgada pelo Estadão deste dia 2 de maio dá conta que a aprovação do governo federal subiu de 62,4%, verificados em março, para 69,8% agora. Quando indagados sobre o desempenho pessoal do presidente Lula, 81,5 % dos entrevistados disseram aprová-lo, contra 76,2% em março último.

O Datafolha, ao analisar as expectativas sobre a economia, diz que 41% dos entrevistados acham que a situação do País vá melhorar (contra 35% em março). Diz também que melhoraram as expectativas em relação ao desemprego, a própria situação do entrevistado, a inflação e a recuperação do poder de compra.
Vai no mesmo sentido a pesquisa CNT/Sensus quando analisa a economia. Por exemplo, subiu de 20,9% para 32,3% a porcentagem de brasileiros que viu melhoria no emprego nos últimos seis meses. Já o medo de perder o emprego caiu de 44,8% para 39,1%. E por aí vai.

Ou seja, por ambas as pesquisas, a população avalia que o pior da crise já passou e coloca na conta do presidente Lula a responsabilidade por isso.

Dilma e a crise
No mesmo período, a pesquisa Datafolha mostra que a intenção de voto na ministra Dilma Roussef para a presidência, depois da má notícia sobre sua saúde, subiu de 11 para 16% , enquanto que o governador José Serra caía de 41 para 38%. Já na pesquisa CNT/Sensus, a vantagem de Serra sobre Dilma caiu 12,5%: a ministra subiu de 16,3% para 23,5% e Serra caiu de 45,7% para 40,4% nestes três meses.

Ou seja, Lula está transferindo apoio para a ministra. Isso fica ainda mais claro no quadro do Datafolha que diz que 41% dos entrevistados poderiam votar num candidato apoiado pelo presidente.

São dados mais que alvissareiros para o governo. A crise econômica mundial, ao que parece, não vai servir de plataforma para a oposição. Que entre boquiaberta e paralisada, aposta suas fichas agora na CPI da Petrobras. Talvez com poucas chances de êxito.

A divulgação das duas pesquisas ao mesmo tempo e com dados bem semelhantes deve estar gerando milhares de divagações e dezenas de reuniões dos dois lados do ringue. E bilhões de contas de quem assiste na plateia, os múltiplos PMDBs regionais, que miram para a disputa no planalto com um olho no seu terreno local. Como manter ou aumentar no ano que vem a influência no estado de origem sem se confrontar com o prestígio sempre inabalável do presidente Lula?

Bem, são tantas as elucubrações para serem feitas que o espaço não dá, nem pra mim, nem para todos os analistas que hoje tentam interpretar os dados em suas colunas nos grandes jornais. Porém, o que salta mais aos olhos quando se compara os resultados das duas pesquisas é que o Datafolha faz uma perguntinha a mais: você é contra ou a favor de uma mudança na lei para que Lula possa concorrer a um terceiro mandato? Resposta: 47% dos entrevistados são a favor e 49% são contra. Em novembro de 2007, 63% dos brasileiros rejeitavam a mudança. Agora, deu empate.

A Folha infla o assunto. Em parte porque gente que apoia o governo vira e mexe retoma a tese que o presidente já repeliu peremptoriamente inúmeras vezes. Talvez o façam com um olho em seus estados, pois, é bom lembrar, a tal da mudança na lei valeria também para os mandatos para os governos estaduais.
Mas, por outro lado, a Folha e outros insistem na tecla porque tentam colar à figura do presidente a imagem do vizinho Hugo Chávez, como se quisessem dizer: cuidado, é tudo farinha do mesmo saco, Lula vai querer aproveitar sua histórica popularidade junto às classes populares para se perpetuar no poder.

Tolice. Nada indica que o presidente se arriscaria a manchar sua excelente reputação internacional pressionando pela mudança das regras do jogo aos 47 do segundo tempo, como FHC fez ao comprar seu segundo mandato. Para Lula parece ficar cada dia mais claro que Dilma será o terceiro mandato e Lula será o quarto.

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