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Política

Crise no Planalto

Oposição mantém cruzada contra ministro

por Matheus Pichonelli publicado 07/06/2011 11h39, última modificação 07/06/2011 16h39
Timidez no apoio de aliados contrasta com a postura de opositores, que ainda ameaçam instalar CPI e recorrer ao Supremo para forçar ministro a falar no Congresso

O arquivamento de quatro representações com pedidos de investigação sobre as contas de Antonio Palocci e sua empresa de consultoria, anunciado pela Procuradoria Geral da República na segunda-feira 6, encerra um dos capítulos do caso que se arrasta há mais de 20 dias no Planalto. Não encerra, no entanto, o sangramento a que o ministro-chefe da Casa Civil está submetido dentro e fora do governo.

Enquanto a oposição tenta desautorizar a decisão do procurador-geral Roberto Gurgel, que depende da caneta de Dilma Rousseff para ser reconduzido por mais um mandato à frente do Ministério Público Federal, aliados do governo fazem coro ou silêncio em torno de uma eventual saída do ministro. Não deixa de ser curioso que, no dia em que Palocci ganhou fôlego para seguir no cargo, a maior manifestação pública de apoio que recebeu tenha vindo do presidente Hugo Chávez, que visitava o País. “Fuerza”, disse o venezuelano, que não se esquivou de abraçar o ministro.

A vitória do Palocci na Procuradoria não havia sido sequer relatada pelo PT em seu site oficial durante toda a manhã. Nenhum petista veio a público também defender com contundência o ministro – até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se negou a falar sobre o assunto, na véspera. A apostam dentro do próprio governom era que nem mesmo o beneplácito do procurador seria suficiente para manter o petista no cargo. 

De outro lado, os aliados como o PDT – com direito a nota do líder da Força Sindical, Paulinho da Força – e até mesmo do PC do B erguem a voz e vão a público pedir uma solução para a crise.

Enquanto isso, a oposição segue em sua cruzada contra o governo, ameaça instalar CPIs (com ajuda de aliados do próprio governo) no Senado e já deixou engatilhada ao menos uma representação que será levada ao Supremo Tribunal Federal caso o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), decida “desconvocar” o ministro para falar sobre o caso, conforme foi aprovado na semana passada em manobra dos opositores na comissão da Agricultura.

Como se vê, a decisão de Gurgel dá fôlego ao ministro, mas não o livra dos principais atores da crise até aqui: uma oposição carente por “fato novo” e o fogo amigo que se alastra com o vento.