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Lideranças do PMDB entram em campo por Fogaça

por Sul 21 — publicado 27/08/2010 15h32, última modificação 27/08/2010 15h34
Objetivo da cúpula é garantir peemedebista no segundo turno

Por Igor Natusch*

Objetivo da cúpula é garantir peemedebista no segundo turno

O PMDB gaúcho reuniu-se na manhã da última quinta-feira 26, para discutir a postura do partido nas eleições de 3 de outubro. Na pauta, a situação da campanha para governador do Rio Grande do Sul, na qual o candidato José Fogaça(PMDB) briga para assegurar uma das vagas no segundo turno. O diagnóstico da cúpula peemedebista é de que, até agora, as lideranças do partido estão muito distantes de Fogaça. O recado da direção partidária é alto e claro: a partir de agora, todos precisam vestir a camisa e lutar pela candidatura estadual.

A reunião começou cerca de meia hora depois do previsto, devido a um ilustre atraso. Pedro Simon, senador e grande liderança peemedebista no RS, chegou no diretório às 09h50, vinte minutos depois do agendado. Falava ao celular e subiu apressadamente para a sala de conferências, trocando apenas breves cumprimentos com os correligionários que riam e tomavam café ao pé da escada.

Preocupação - Durante o encontro, ficou explícita a preocupação com as bases, que não estão trabalhando como deveriam pela candidatura de José Fogaça. A cúpula peemedebista também fez o mea culpa: faltou orientar os correligionários para que dessem prioridade a Fogaça e Germano Rigotto (PMDB), candidato ao senado. Isso dispersou esforços e causou confusão entre os peemedebistas.

“Não podemos deixar aparecer só o que está na TV”, disse o senador Pedro Simon durante a reunião. “As pessoas ficam preocupadas se a Dilma (Rousseff, candidata do PT à presidência) já ganhou ou não, e esquecem que temos uma campanha acontecendo aqui no Rio Grande do Sul”, reclamou, diante de uma audiência silenciosa e atenta.

Sebastião Melo (PMDB), vereador de Porto Alegre e candidato a deputado estadual, foi até o púlpito, montado ao lado da mesa diretiva, e reforçou as impressões de Simon. “Dilma é a candidata de alguns de nós, Serra o de outros. Fogaça é o candidato de todos. É em nome dele que precisamos trabalhar”, resumiu.

“Nosso time ainda não está todo na rua", admite o deputado estadual Luiz Fernando Záchia (PMDB), concorrendo agora a deputado federal. Segundo ele, o partido tem um verdadeiro "exército de apoiadores" que precisa ser mobilizado para a campanha estadual. "Nossos quadros devem focar no estado. É hora de direcionar o PMDB a priorizar Fogaça e (o candidato do PMDB ao senado Germano) Rigotto", insistiu.

"A reunião foi importante para azeitar a nossa máquina partidária", reforça Mendes Ribeiro Filho, deputado federal e coordenador da campanha de José Fogaça ao Piratini. “Daqui para frente, todos os peemedebistas passam a ser Fogaça e Rigotto acima de tudo, independente de quem estejam apoiando na eleição nacional".

Segundo turno - A visão do PMDB é bastante clara: se Fogaça garantir sua presença no segundo turno, vencerá Tarso Genro e será governador, afirmam os peemedebistas. As pesquisas internas do PMDB gaúcho apontam para um desempenho estável do candidato peemedebista ao Piratini, sem oscilar além das margens de erro. Enquanto isso, a candidatura de Yeda Crusius (PSDB) teria caído ligeiramente durante a última semana. O PMDB aposta na rejeição de Yeda e no sentimento anti-PT para garantir a eleição de Fogaça no segundo turno.

De acordo com as lideranças do partido, é preciso valorizar a imagem de Fogaça, mostrando o peemedebista como o único que pode vencer Tarso Genro. “A situação dele (Fogaça) em Porto Alegre está boa”, disse uma figura próxima do candidato a governador. O que mais preocupa a direção é o percentual de indecisos entre a candidatura de Fogaça e a de Yeda Crusius (PSDB). “Precisamos fazer com que Fogaça cresça alguns pontos nas pesquisas, porque a partir daí podemos consolidar a ideia de que ele pode vencer o PT e garantir o voto dessas pessoas”, reforçou a fonte.

Visita de Temer - A situação da eleição nacional foi o primeiro assunto a ser discutido na reunião. Mesmo com o apoio da maioria das lideranças à candidatura de José Serra (PSDB) para a Presidência, a possibilidade crescente de Dilma Rousseff (PT) ganhar no primeiro turno é vista com muita seriedade pelo PMDB gaúcho. É visível a diminuição dos esforços da sigla a favor da candidatura de Serra, refletindo uma tendência nacional de desvincular-se da imagem de quem provavelmente perderá a corrida presidencial. A preocupação maior passa a ser com uma participação mais intensa de Dilma e do presidente Lula no palanque de Tarso Genro (PT) em um eventual segundo turno na eleição gaúcha.

Nesse sentido, a movimentação para adiar em uma semana a visita ao estado de Michel Temer (PMDB), vice na chapa de Dilma Rousseff, foi uma demonstração de força das lideranças estaduais do partido. O encontro com os prefeitos peemedebistas pró-Dilma está confirmado para o final da manhã do dia 2 de setembro. Ocorrerá também uma reunião de Temer com os apoiadores de Fogaça, no comitê de campanha do candidato, em Porto Alegre. Com isso, reforça-se a presença de Michel Temer como um encontro com o PMDB gaúcho como um todo, evitando a associação da visita com a candidatura estadual de Tarso Genro (PT).

"Esses prefeitos (alinhados com a candidatura de Dilma) são figuras de influência em suas microrregiões, e têm uma relação direta com o governo federal" diz Luiz Fernando Záchia. Para o deputado, essas figuras da base estão livres para defenderem o interesse de suas comunidades e apoiar o candidato de sua preferência na eleição nacional. O fundamental, na visão do deputado, é que todos abracem a candidatura de Fogaça ao Piratini. "Muitos desses lugares nem são atingidos pela propaganda regional, já que a TV só chega por antena parabólica. Nessas partes do estado, o contato direto com o povo é ainda mais importante. Temos que usar a nosso favor o fato de que temos representação em todas as cidades do Rio Grande do Sul", ressalta Záchia.

"A posição do PMDB gaúcho é desde o início pela neutralidade na eleição presidencial", afirma Pedro Simon. "Quem quiser se abraça na Dilma (Rousseff), não tem problema algum. O importante é que todos saibam que nosso candidato ao governo estadual é José Fogaça, e que isso fique sempre claro em nossa campanha".

Representando os prefeitos pró-Dilma na reunião, esteve presente o prefeito de Arambaré, Alaor Pastoriza Ribeiro. Ele chegou logo depois das 10h, sem ostentar no peito adesivos de Fogaça, Rigotto ou Dilma Rousseff. E ficou pouco tempo: saiu rapidamente, por volta das 11h15, quase uma hora antes do encerramento da reunião.

TV pode decidir - Para as lideranças peemedebistas, a importância da propaganda eleitoral, especialmente a de televisão, precisa ser levada em conta. "As ideias que aparecem na mídia contam muito, e a gente sabe que o Fogaça tem o que dizer", garante Luiz Fernando Záchia. "O passado recente dele é forte. Reforçando isso, a gente consolida o nome dele como a melhor opção contra o Tarso".

A tentativa será de associar o PT gaúcho a uma imagem radical, enquanto Fogaça é o nome capaz de navegar entre as brigas políticas e garantir alinhamento com o governo federal. Assim, Fogaça se torna o nome ideal para garantir a paz no Rio Grande do Sul - uma tática já usada em outras ocasiões pelo partido. "O radicalismo de Tarso (Genro, candidato do PT ao governo do RS) é negativo para o Rio Grande", disse Pedro Simon, dando uma amostra da abordagem que deve tomar conta da campanha da coligação pró-Fogaça nos próximos dias. "Nossa oposição ao PT estadual é consequência disso. O PT não consegue unidade nem dentro do próprio partido!", provoca.

A indefinição do apoio nacional a Dilma ou Serra deve ser utilizada para sustentar essa visão. O objetivo será mostrar que Fogaça é um candidato capaz de dialogar com o governo federal, independente de quem for eleito para a Presidência da República. “Estamos do lado da unidade”, ressalta Pedro Simon. "Precisamos mostrar para o eleitor que, ganhando Dilma ou ganhando Serra, Fogaça é a melhor opção para o Rio Grande".

*Matéria originalmente publicada no Sul 21

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