Você está aqui: Página Inicial / Política / Leitura do relatório final da CPMI do Cachoeira é adiada

Política

CPI do Cachoeira

Leitura do relatório final da CPMI do Cachoeira é adiada

por Redação Carta Capital — publicado 22/11/2012 12h43, última modificação 06/06/2015 19h24
Após críticas de parlamentares, relator da Comissão pede mais tempo para "dialogar com os pares" sobre o conteúdo do texto
dep. Odair Cunha (PT - MG), CPMI do Cachoeira

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG). Para ele, a prorrogação da comissão por 48 dias é suficiente. Foto: Luis Macedo / Agência Câmara

A leitura do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as atividades do esquema criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira foi adiada para a próxima quarta-feira 28. O pedido foi do relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG). "Estou dialogando com os pares sobre o conteúdo e quero ultimar os esforços de diálogo possível", afirmou.

A narração do texto deveria ter ocorrido ontem, mas foi remarcada para esta quinta-feira 22 após parlamentares reclamarem que não tiveram tempo de analisar o relatório, com mais de 5,1 mil páginas. No documento, 46 pessoas são acusadas de terem ligação direta com o esquema ilegal de Cachoeira e pede o indiciamento de 34 agentes privados e a responsabilização de 12 agentes públicos com foro privilegiado.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que Cunha está inseguro com o relatório final. "O senhor demonstra insegurança, irresponsabilidade e falta de compromisso com o conteúdo", afirmou. Já Miro Teixeira (PDT-RJ) criticou o pedido de investigação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o indiciamento do jornalista de Veja Policarpo Júnior.

Antes mesmo de ser discutido, o texto virou alvo de críticas dos parlamentares. Na quarta-feira 21, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) reagiu à parte do texto em que o relator recomenda a investigação de Gurgel pelo Conselho Nacional do Ministério Público por ter suspendido “sem justificativa” as investigações da Operação Vegas da Polícia Federal, que apontou indícios de ligações de Cachoeira com parlamentares.

Segundo o senador, tudo começou por causa de um trabalho do MPF. “Houve uma disputa interna no PT sobre quem seria indiciado e prevaleceu a pior versão, que é abrir investigação contra o representante da principal instituição que iniciou a investigação. É uma inversão de valores. É trazer para o lume da investigação o investigador. Isso desvirtua o que é central, a empreiteira Delta.”

O relator pediu também a investigação do governador de Goiás, Marconi Perillo, para esclarecer sua ligação com o grupo de Cachoeira. “Por que ele se envolveu tão intimamente com a organização criminosa, deixou que ela tomasse conta de parte importante do seu governo? Não temos culpa de ele ter se relacionado com essa organização”, disse ontem.

Ficaram de fora os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, Ségio Cabral. “Não investigamos, em nenhum momento, o governador do Rio de Janeiro. Investigamos, sim, as incursões da organização criminosa no Distrito Federal e não restaram provadas, em nenhum momento, vinculações do governador Agnelo Queiroz com o empresário Carlos Cachoeira.”

Insatisfeitos com o relatório final, parlamentares que se dizem independentes informaram que protocolariam representação na Procuradoria-Geral da República. No documento, eles pedem a quebra de sigilo de empresas fantasmas que teriam recebido dinheiro da Construtora Delta e a abertura de investigação contra Cabral e Queiroz, além do governador do Tocantins, Siqueira Campos.

Com informações Agência Brasil e Agência Câmara.

registrado em: ,