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Política

Eleições 2010

Kassab X Marta de novo?

por Celso Marcondes — publicado 05/06/2009 16h27, última modificação 19/08/2010 16h35
Em São Paulo dá-se de barato que o ex-governador Geraldo Alckmin será o candidato da coligação PSDB/DEM à sucessão estadual no ano que vem.

Em São Paulo dá-se de barato que o ex-governador Geraldo Alckmin será o candidato da coligação PSDB/DEM à sucessão estadual no ano que vem. Desde a jogada de mestre do governador José Serra em janeiro passado, quando o retirou das cinzas para colocá-lo no pomposo cargo de secretário do Desenvolvimento de seu governo.

Naquele momento, todo mundo, inclusive o que vos escreve, partiu do princípio que a retomada das relações – até então muito estremecidas – entre os dois tucanos sacramentaria a dobradinha Serra para presidente, Geraldo para governador em 2010. Ambos com grandes chances de vitória, apontavam as pesquisas então.

Porém, ao que parece, passados seis meses, o cenário não é tão nítido assim. Apesar da pesquisa Datafolha divulgada nesta semana dar para Alckmin mais de 50 % das intenções de voto, seria bom que ele botasse as madeixas de molho.

Isso porque as previsões para Serra na presidência não foram tão generosas na mesma pesquisa. Enquanto ele caía, .

Neste ritmo, podemos imaginar, como disse o governador Aécio Neves, que Dilma chegue a um patamar de 30% de intenções de voto até o final do ano. Se ele estiver certo, também é possível supor que Serra continue caindo. Que tal imaginar uns, digamos, 38 a 30 para Serra em dezembro? Com Lula mantendo a popularidade recorde e a crise econômica já em fase de superação mais nítida? Se este cenário se confirmar daqui seis meses, eu estaria delirando se imaginasse o governador preferindo concorrer à reeleição em vez de se arriscar para a presidência?

Mas sejamos generosos e façamos uma previsão mais otimista para os tucanos, considerando também a hipótese de uma recuperação de Serra (confesso que não saberia arriscar o que motivaria isso) até o final do ano: imaginemos que ele aumente sua vantagem sobre Dilma e o PSDB descarte a tese da “chapa puro-sangue” com Aécio de vice, pois os tucanos sabem que só há chances de vitória se ampliarem seu leque de aliados. Neste caso, o DEM seria um aliado natural, só que condição necessária, mas não suficiente para enfrentar uma Dilma ainda robusta, pois, sequer tem nomes para agregar algo se pegar a candidatura à vice (Heráclito? Demóstenes? Kátia Abreu?).

Para ampliar de fato, a noiva mais cortejada (e cara) é o PMDB ou pelo menos um peemedebista célebre, como algum governador atual ou Jarbas Vasconcelos. Porém se este cenário positivo, mas menos provável, para os tucanos se delinear e parte da confederação peemedebista se sentir mais atraída pelo ninho tucano do que pelo petista, como ficariam os democratas?Apenas esperando o loteamento dos ministérios no caso de uma provável vitória tucana? Ou pediriam desde cedo uma garantia em troca? Acredito que no caso de maior apetite do DEM esta garantia já teria nome: Gilberto Kassab para governador de São Paulo. De quebra, acomodando, em caso de vitória, Alda Marco Antônio, do PMDB, sua vice, na poderosa prefeitura de São Paulo. Kassab é hoje o nome mais importante do DEM nacional, tem sua gestão bem avaliada nas pesquisas e acaba de dar um banho em Geraldo nas eleições municipais.

Ou o leitor acha que Serra teria algum pudor para rifar novamente seu companheiro de partido?

Para quem duvida e acha que Alckmin pode dormir tranquilo nestes dias, proponho dois exercícios: o primeiro é tentar acompanhar a sua mínima exposição pública, nada condizente com o cargo que ocupa e com o que almeja (recomendo o uso de uma lupa). O segundo, é acompanhar os movimentos dos democratas paulistas. Por exemplo, na Folha desta semana já apareceram cartas de leitores com a seguinte pergunta: por que entre as várias hipóteses que o Datafolha levantou para as eleições governamentais não foi testada a variável Kassab governador?

Sem querer dar uma de vidente – afinal, no meu artigo de janeiro eu dava de barato a consolidação da reaproximação Serra/Geraldo -, arrisco o papel de conselheiro não autorizado: Geraldo, te cuida. Num cenário positivo para o tucanato, Kassab pode aparecer de novo no seu caminho. E num cenário negativo, um governador careca pode preferir ficar onde está, deixando para Aécio – que não pode concorrer à reeleição mineira - a honra de enfrentar Dilma.

Enquanto isso, se do lado peessedebista só se fala em um nome, do lado de lá, o PT avalia que a eleição paulista é eleição para perder e nomes de possíveis candidatos jogados ao sacrifício pululam: Palocci, Marta, Mercadante, o ministro Fernando Haddad, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. É tão evidente o clima de “já perdeu” que até a “paulistanização” de Ciro Gomes e o apoio ao prefeito pedetista de Campinas, Dr. Hélio, têm sido cogitados por setores petistas.

No meio da treva, também contrario aqui o senso comum e o noticiário: não deve sobrar para Palocci, mas para Marta. Só que não tenho espaço para explicar isso agora. Fica pra próxima.