Você está aqui: Página Inicial / Política / O enrosco de Kassab em São Paulo

Política

Inquérito

O enrosco de Kassab em São Paulo

por Redação — publicado 21/01/2014 17h54, última modificação 21/01/2014 17h59
Testemunha do caso do ISS disse à Justiça que o ex-prefeito recebeu propina da Controlar, empresa de inspeção veicular. O MP abriu inquérito
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
kassab

O ex-prefeito Gilberto Kassab, por meio da sua assessoria, negou a acusação

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) voltou a ser investigado por participação nas irregularidades do contrato com a Controlar S.A., empresa responsável pela inspeção veicular obrigatória da frota automotiva da cidade. O inquérito civil foi aberto pelo Ministério Público de São Paulo na segunda-feira 20, a partir de denúncia de que Kassab teria recebido propina.

Na quinta-feira 16, Kassab havia sido absolvido das primeiras acusações. Em 2011, o então prefeito chegou a ter seus bens bloqueados pela Justiça, mas conseguiu reverter a decisão. No entanto, durante a investigação sobre a chamada "máfia do ISS" (Imposto Sobre Serviços), que envolve fiscais da prefeitura acusados de receber propinas de construtoras para facilitar a liberação de licenças para que os imóveis fossem ocupados (o Habite-se), novas denúncias surgiram. Uma das testemunhas, identificada apenas como “Gama”, disse ter ouvido do auditor fiscal chefe da máfia, Ronilson Bezerra Rodrigues, que Kassab teria recebido muito dinheiro da Controlar e contado com a ajuda do empresário Marco Aurélio Garcia para levar o dinheiro até uma fazenda no Mato Grosso. Garcia é irmão do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia.

O contrato com a Controlar foi firmado em 1996, na gestão do hoje deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). O Ministério Público descobriu, no início das apurações de fraude, que a empresa não tinha capacidade técnica necessária e cobrava 20% mais do que o valor considerado justo, além de ter dado garantias falsas para ganhar a licitação.

A assessoria do ex-prefeito, em nota enviada ao UOL, afirmou que o depoimento da testemunha é “falso e fantasioso”. O advogado de Garcia também nega qualquer participação do seu cliente. Segundo o Ministério Público, além do inquérito civil, um inquérito criminal será aberto.

Prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012, Kassab anunciou neste ano sua candidatura ao governo do Estado nas eleições de outubro. Seu partido, o PSD, anunciou no fim de 2013 apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.