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Política

São Paulo

Kassab se defende da cassação

por Celso Marcondes — publicado 02/02/2010 19h18, última modificação 18/08/2010 19h20
No Diário Oficial desta terça-feira, 23, será publicado o ato que oficializa a cassação do mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab

No Diário Oficial desta terça-feira, 23, será publicado o ato que oficializa a cassação do mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A decisão foi tomada pelo juiz da 1ª. Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Silveira. Segundo denúncia do promotor eleitoral Maurício Lopes, acatada pelo juiz, Kassab teria recebido doações consideradas ilegais em sua campanha para a prefeitura, em 2008.

As doações somariam mais de R$ 10 milhões, vindas do Banco Itaú, de sete empreiteiras e da AIB (Associação Imobiliária Brasileira). Essa última seria uma fachada para encobrir o nome do SECOVI (o sindicato do setor imobiliário), pois a legislação eleitoral proíbe doações de sindicatos e entidades de classe.
O prefeito deve apresentar ainda no dia de hoje, 22, um recurso no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e diz “não temer” a perda do mandato.

Estrago feito

Mesmo acreditando na hipótese mais provável, que o recurso do prefeito seja acatado, o estrago na imagem do prefeito e de seu partido, o DEM, está feito. Ser obrigado a conviver com esse assunto indigesto, ao mesmo tempo em que ganha fôlego o escândalo de Brasília envolvendo outras figuras proeminentes do partido, ajuda a enfraquecer ainda mais a sigla e suas lideranças.

Exatamente num momento delicado da vida do governador José Serra, hoje o principal suporte do prefeito paulistano. É mais uma má notícia que chega às hostes tucanas, que assistem a um crescimento consistente da candidatura da ministra Dilma Rousseff.

Entretanto, a questão mais importante que vem à tona com o episódio é exatamente o sistema de sustentação financeira das campanhas eleitorais que existe no País. A verdade é que de Norte a Sul, das prefeituras das menores cidades até o Executivo federal, envolvendo todos os partidos políticos que detenham um mínimo de poder, impera o caminho do “doar hoje para ganhar obras públicas amanhã”. Essa é a ferida exposta e necrosada.

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