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Suspeita

"Kassab recebeu 'verdadeira fortuna' da Controlar"

por Redação — publicado 17/01/2014 09h37, última modificação 17/01/2014 15h44
No mesmo dia, a Justiça absolveu o ex-prefeito das acusações de irregularidades nos contrato para a inspeção veicular em SP
José Cruz / ABr
Gilberto Kassab

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) recebeu uma “verdadeira fortuna” da Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular na capital paulista. Foi o que afirmou, em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, uma testemunha protegida do inquérito que investiga supostas irregularidades no contrato da empresa para atuar na cidade.

O testemunho foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo. De acordo com a reportagem, o ex-secretário de Finanças de Kassab, Mauro Ricardo, também foi citado. A testemunha, no entanto, não apresentou provas. Os acusados negaram os crimes.

No mesmo dia, ainda segundo o jornal, a Justiça absolveu o ex-prefeito e o empresário Ivan Pio de Azevedo em ação penal sobre supostas irregularidades no caso Controlar. A sentença é do juiz Luiz Raphael Nardy Lencioni Valdez, da 7.ª Vara Criminal da Capital.

Sempre de acordo com o jornal, a testemunha relatou fatos que teriam sido narrados por Ronilson Bezerra Rodrigues, suposto líder da máfia do Imposto Sobre Serviços (ISS). Ele afirmou que Kassab pediu ajuda ao empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, para levar o dinheiro até uma fazenda em Mato Grosso. As acusações foram classificadas por Kassab como "fantasiosas".

Além da máfia do ISS, desbaratada em 2013, a Promotoria investiga como a Controlar conseguiu operar em São Paulo entre 1996 e 2007 a partir de uma única licitação, realizada ainda na gestão Paulo Maluf (PP). O órgão defende que uma outra concorrência deveria ter sido feita no período.

Segundo a testemunha, Kassab tinha estreita relação com Ronilson. A pedido dele, o ex-prefeito chegou a ignorar denúncias de corrupção na Secretaria Municipal de Finanças. "Em dada situação, Gilberto Kassab recebeu uma fita de filmagem em que um auditor fiscal havia achacado uma empresa de segurança. Diante daquela prova cabal de corrupção, Ronilson pediu que Kassab não prosseguisse com a investigação porque o auditor seria um amigo seu. Kassab acolheu a justificativa, mas determinou que Ronilson ‘segurasse seu pessoal, pois estamos em ano eleitoral’".

Para a Justiça, no entanto, "dos três problemas apontados pela acusação, dois deles não foram levados oficialmente ao conhecimento do prefeito e não são tratados no despacho tido como ilegal (disponibilidade dos terrenos e capital social). Ou seja, a acusação presume, sem elemento de prova que o autorize, que o réu Gilberto Kassab era conhecedor de todos os detalhes da concessão cuja licitação datava de 1996".