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Política

Julgamento do "mensalão"

"Julgamento não acabou", escreve José Dirceu

por Redação Carta Capital — publicado 13/11/2012 09h29, última modificação 13/11/2012 09h29
Condenado a mais de 10 anos de prisão, o ex-ministro diz que seguirá lutando mesmo cumprindo a pena do STF
dirceu

O ex-ministro José Dirceu, condenado a dez anos e dez meses de prisão. Foto: Agência Brasil

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou, em nota publicada em seu site, que vai continuar lutando mesmo cumprindo a pena de 10 anos e 10 meses de prisão determinada na segunda-feira 12 pelos ministros do Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. "Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta", escreveu.

Confira a íntegra da nota:

 

"Dediquei minha vida ao Brasil, à luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.

A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.

Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.

Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

José Dirceu"