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Política

"Mensalão"

João Paulo Cunha cita autor cubano em carta de renúncia

por Agência Brasil publicado 08/02/2014 08h05, última modificação 08/02/2014 09h14
Para evitar a cassação, o deputado, que cumpre pena em Brasília, enviou o documento por meio de seu advogado à Secretaria-Geral da Câmara
Antonio Cruz
João Paulo Cunha

O deputado federal João Paulo Cunha almoça com militantes acampados em frente ao prédio do STF, em protesto contra o julgamento do mensalão

 

 

Por Mariana Jungmann

 

 

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) encaminhou na sexta-feira 7 sua carta de renúncia ao secretário-geral da Câmara dos Deputados, Mozart Paiva. O documento foi entregue pelo advogado de João Paulo, Luiz Eduardo Yukio Egami, às 20h21, na Secretaria-Geral da Casa.

“É com a consciência do dever cumprido e baseado nos preceitos da Constituição Federal e no Regimento Interno da Câmara dos Deputados, que eu renuncio ao meu mandato de deputado federal”, diz o breve texto assinado por João Paulo.

Além disso, o documento traz uma pequena citação do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura, que diz: “... pois a dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores”.

João Paulo Cunha está preso na Complexo Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, cumprindo pena por ter sido condenado na Ação Penal 470, o processo do "mensalão". Além de João Paulo, estão presos os ex-deputados José Genoino, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto. Todos eles, condenados no mesmo processo, renunciaram depois da prisão.

Em nota, o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho Alves (SP), manifestou, em nome da bancada petista, “respeito e solidariedade” a João Paulo Cunha. “Reiteramos ainda que João Paulo terá o nosso apoio em todas as iniciativas que vier a tomar para demonstrar os equívocos, erros e omissões que permearam seu julgamento no âmbito da Ação Penal 470”, diz a nota.

Em entrevista à Agência Brasil, Vicentinho disse que ficou sabendo da renúncia minutos antes de a carta ser entregue pelo advogado Luiz Eduardo Yukio Egami ao secretário-geral da Câmara, Mozart Vianna de Paiva. O líder petista disse ainda que esteve com João Paulo Cunha ontem (6), mas que os dois conversaram pouco sobre a possibilidade de renúncia.

“Eu estive com ele, nós conversamos pouco sobre isso. Eu voltei a manifestar nosso profundo respeito por ele, nossa solidariedade”, disse o líder. “Não sei o que motivou essa decisão, foi o mesmo caminho pelo qual optaram Genoino e os outros”.

Como tem direito a regime semiaberto, o deputado chegou a cogitar a possibilidade de continuar trabalhando na Câmara durante o dia e voltar para dormir na Papuda à noite. Os advogados de João Paulo apresentaram esse pedido na véspera, na Vara de Execuções Penais de Brasília. Uma reunião para discutir a abertura de processo de cassação contra ele tinha sido marcada entre os membros da Mesa Diretora da Câmara para a próxima terça-feira 11.