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Qual é?

Jarbas só isenta Serra

por Celso Marcondes — publicado 18/02/2009 16h21, última modificação 23/08/2010 16h22
O senador Jarbas Vasconcelos chutou o balde.

O senador Jarbas Vasconcelos chutou o balde. Falou, confirmou e peitou nos dias seguintes: “não retiro uma vírgula”, esbravejou. Para ele, o PMDB é corrupto, o governo Lula é conivente e, como a oposição tucana/demo, é medíocre. “A classe política é medíocre”, ele disse, literalmente. Se o leitor está pronto a concordar com o senador, chamo atenção à exceção que ele faz bem ao final da entrevista (não apontada por nenhum colunista ou editorial dos grandes diários): José Serra está fora da lista. Nele, Jarbas “acredita muito” e diz que se empenhará em sua candidatura. Como Serra não seria uma “oposição medíocre” ao governo Lula, resta-nos uma esperança, seremos salvos em 2010. Cheguei a pensar que estávamos todos perdidos. Serra e Jarbas iluminarão nosso horizonte.

O que faz Jarbas na entrevista bombástica é tentar estabelecer uma linha divisória dentro da federação peemedebista. Ele tenta empurrar os “corruptos” para o lado de Lula: Geddel, Sarney, Renan, por exemplo. E joga os “íntegros”, apenas ele por enquanto, para o lado da oposição não medíocre. Lula é reduzido na entrevista a uma jogada de marketing, o Bolsa-Família vira o “maior programa oficial de compra de votos do mundo”. O mérito do presidente se reduziria a dar continuidade ao programa econômico de FHC.

O PMDB, para variar, reagiu com a ferocidade de um bovino sonolento em relva plácida. Em nota oficial tão contundente quanto um peteleco em lombo de elefante, relevou os ataques do senador. Foram considerados “meros desabafos”. Entendeu a direção do partido que Jarbas não fez mais que “alegações genéricas”. Será que se referia a esta generalidade: “Hoje, o PMDB é um partido sem norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos”. Qualquer incauto perguntaria diante de tal “alegação genérica”: se é esta m... toda, que diachos o puro Jarbas esta fazendo lá?

Diz-se, por definição, que “partido” vem de “parte”. Tomar partido é tomar parte, um ato opcional, de livre e espontânea vontade. Ninguém entra ou fica num partido porque lhe é apontado um revólver na nuca (embora eu já esteja careca de ver político dizendo que não queria ser candidato a este ou aquele cargo, mas que acabou aceitando o sacrifício “por pressão das bases”). Vai daí que, por concordar com as belas razões que o senador enumerou na citação acima, muito leitor de CartaCapital jamais pensou em bater na porta do PMDB. Já o Jarbas, se lá permanece apesar de tudo que diz, é porque está querendo alguma coisa (e não seria a candidatura ao governo de Pernambuco em 2010, a se acreditar no que afirmou na entrevista).

Como o seu partido preferiu tratar o pretenso míssil supersônico como mero “desabafo” – exceção feita ao governador Sérgio Cabral - e se do Planalto – exceção feita ao assessor Marco Aurélio Garcia -, pelo menos até aqui, não veio nenhuma resposta decente a um ataque tão duro, resta aguardar a manifestação do governador Serra agradecendo penhorado pela deferência. Isso se não tiver havido antes “um combinado” entre ambos.

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