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Política

Vilarejo de Bilin

Israel devolve terra aos palestinos

por Viviane Vaz, em Jerusalém — publicado 30/06/2011 12h12, última modificação 30/06/2011 15h10
Ministério da Defesa israelense cumpre sentença da Suprema Corte com quatro anos de atraso; proprietários prometem construir na terra recuperada

Soldados israelenses começaram a derrubar nesta semana, com ajuda de tratores, uma parte da barreira de separação nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Um passo atrás na cerca que significa um passo adiante para os tribunais israelenses e para os palestinos do vilarejo de Bilin. A aldeia fica a 25 quilômetros de Tel Aviv e tem sido cenário de protestos desde que a barreira de arame farpado e concreto armado foi levantada em 2002. Para o governo israelense, ela serve para prevenir a onda de ataques suicidas depois da segunda intifada, em 2000, e proteger o assentamento judaico de Modiin Illit, vizinho a Bilin. Para os palestinos, o mesmo muro é ilegal e impede o acesso às terras agrícolas.

Os proprietários das terras do vilarejo levaram o caso à Justiça israelense em 2005, um ano após o Tribunal da Haia decidir pela ilegalidade da proposta da barreira de 720 km. Em 2007, a Suprema Corte de Israel determinou que a cerca fosse transferida para o território israelense. Para concluir a medida, as Forças de Defesa de Israel (FDI) começaram a derrubar 3,2 quilômetros de barreira. E em seu lugar, começaram a levantar um muro de 2,7 quilômetros de concreto, erguido a cerca de 600 metros de Modiin Illit.

Os militares israelenses argumentam que terão menos tempo a partir de agora para reagir em caso de “uma infiltração”. “Esta é uma nova ameaça, mas podemos lidar com isso”, disse o coronel Saar Tzur. Segundo o militar, a nova barreira devolverá aos palestinos cerca de 60 hectares de terra agrícola, apesar de que ainda manterá sob domínio israelense cerca de 20 hectares do terreno.

“Além disso, 5 milhões de shekels serão colocados para restaurar o terreno adjacente a cerca de defesa anterior e prepará-lo para uso agrícola”, afirmaram as FDI por meio de nota à imprensa. O projeto de recuo do muro deve custar um total de 26 milhões de shekels.

Em Bilin, os moradores comemoraram a decisão, mas ainda esperam que a estrutura seja removida completamente e prometem continuar com seus protestos semanais - que acontece todas as sextas-feiras. Eles costumavam caminhar até a cerca – alguns de forma pacífica e outros atiravam pedras nos soldados israelenses. Os atritos provocaram feridas em ambos lados.

“Fico feliz, mas ainda estamos longe do que procuramos e queremos alcançar, porque a maior parte das terras da vila ainda estão confiscadas pela nova rota”, disse Mohammed Khatib, coordenador do movimento de resistência popular de Bilin.

“Esperamos que o cumprimento da sentença judicial dê fim aos enfrentamentos e atritos que vemos todos os dias”, disse o Ministério da Defesa de Israel a Carta Capital.

Oliveiras e casas

O exército israelense anunciou que replantará dezenas de oliveiras no território em disputa, conforme a petição que os moradores palestinos encaminharam à Suprema Corte, pois muitas árvores foram retiradas com a construção do muro.

O comitê popular de Bilin, porém, planeja começar amanhã uma nova forma de protesto: levantar construções na terra devolvida. “A ideia é deixar fatos concretos sobre o terreno e começar a construir casas nas nossas terras entre a cerca e o muro”, disse Khatib ao jornal Ynet.

Já o morador palestino, Haitham Al Khatib, explicou a Carta Capital que os fazendeiros pretendem levantar casas sobre suas propriedades, mas tampouco vão encher o campo. “Como as propriedades são extensas, será uma casa aqui, outra ali”, disse Al Khatib.

O ativista da esquerda israelense, Jonathan Pollak, avalia que as FDI não poderão evitar as novas construções dos palestinos, mesmo que o vilarejo de Bilin esteja na zona B --área sob os auspícios de Israel. “Se o exército nos impedir na sexta-feira, voltaremos e construiremos no sábado”, disse Pollak a jornais locais.

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