Você está aqui: Página Inicial / Política / Infelizmente ainda não resolverá

Política

Imposto

Infelizmente ainda não resolverá

por Paulo Daniel — publicado 29/03/2011 15h00, última modificação 29/03/2011 17h57
O colunista Paulo Daniel debruça sobre o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado nesta segunda-feira pelo governo federal

Nos últimos dias, o governo vem tomando medidas para tentar frear a valorização do Real perante o Dólar. Primeiro foi o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras – a alíquota passou de 2,38% para 6,38%) para aquisições de bens no exterior via cartão de crédito, por último, foi a taxação em 6% via IOF sobre os empréstimos externos.

No que diz respeito as compras realizadas no exterior, em 2010, as despesas bateram recorde, ao somar US$ 16,4 bihões, sendo US$ 10,1 bilhões via cartão de crédito. Ao utilizar o cartão de crédito, os consumidores conseguem uma cotação da moeda norte-americana mais próxima do dólar comercial.

A cotação utilizada pelas instituições financeiras geralmente é informada na fatura dos cartões. Quando o turista decide comprar dólares para levar ao exterior, a cotação cobrada pelos bancos é o chamado “dólar turismo”. Nesse caso, o valor é mais alto do que o dólar comercial.

Sobre a taxação de empréstimos, aí está uma medida interessante, pois empresas e bancos captam financiamentos externos não só para aumentar a sua capacidade produtiva, mas emprestam além do necessário para também realizar aplicações e arbitragens no mercado financeiro brasileiro.

Exemplificando: Por conta de nossa taxa de juros ser a mais alta do planeta e no dito mundo desenvolvido a taxa de juros real ser negativa e estarmos com livre mobilidade de capitais, a tendência é que haja uma abundância de dólares em nosso mercado, por isso, a taxação visa uma diminuição dessa possível especulação sobre a moeda e sobre títulos brasileiros.

Entretanto, essas medidas ainda não resolvem o problema de valorização cambial, o cerne da questão está em reduzir os juros. Os juros aumentaram e infelizmente aumentarão para manter o financiamento do governo e manter a remuneração de grandes capitais financeiros detentores dos títulos da dívida pública.

É mais uma medida importante e interessante, mas que não atenuará a valorização do Real, sem ainda contar, que no mundo também há uma abundância de dólares, derivado da contenção da crise de 2008, portanto, o buraco é mais embaixo… Neste sentido, pensar em controle de capitais, nem que seja momentâneo, não seria uma medida nada radical, a não ser para o mercado financeiro.

registrado em: