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Política

Eleições 2010

Índio evita declarar apoio a Yeda no RS

por Sul 21 — publicado 02/09/2010 11h16, última modificação 06/09/2010 17h20
Participando de evento da campanha tucana em Porto Alegre, o candidato a vice na chapa de José Serra disse que seu foco é a campanha nacional. Foto: Sul21
Índio evita declarar apoio a Yeda no RS

Participando de evento da campanha tucana em Porto Alegre, o candidato a vice na chapa de José Serra disse que seu foco é a campanha nacional. Foto: Sul21

Índio da Costa (DEM) chegou ao Parque da Harmonia quando a “Superquarta” (evento realizado pela campanha da tucana Yeda Crusius ao governo do estado) já se aproximava do fim. Logo na entrada do restaurante Galpão Crioulo, o candidato a vice-presidente pela chapa de José Serra (PSDB), enrolou-se em uma bandeira de sua candidatura. Aos repórteres reafirmou seu objetivo: “A candidatura que eu estou trabalhando é a nacional”. Índio e o também democrata Germano Bonow, que o acompanhava, se esforçaram para manter a postura neutra que seu partido mantém na eleição para o governo gaúcho. Os dois apenas esboçavam sorrisos amarelos, enquanto Yeda Crusius se pronunciava. Mas o tom blasé de Índio da Costa se alterou completamente quando usou a palavra. Seja diante dos repórteres, ou no palanque, o deputado fluminense foi a metralhadora giratória que tem disparado críticas contra o Governo Lula e a candidata Dilma Rousseff. “Ela é mentirosa”, disse sem papas na língua.

Vindos de Pelotas, Índio e Bonow chegaram cerca de uma hora e meia depois do começo do evento, realizado a partir do meio-dia desta quarta-feira (1/9), no Galpão Crioulo. Enquanto um jingle embalado pelo ritmo de vanerão dizia “não tem por que mudar, deixa a Yeda trabalhar”, e todas as lideranças no palanque batiam palmas, os dois democratas não mostravam o mesmo contentamento. Na saída do local, o candidato a vice-presidente evitou perguntas sobre o pleito estadual. No palanque - na única vez em que tocou no assunto - Índio conseguiu arrancar aplausos da plateia, mesmo sem se posicionar, ao dizer que o mais importante era que se afastasse o “mal maior” (em referência à candidatura petista).

O assunto para o democrata foi mesmo a eleição presidencial. “O lado de lá mente. Todo mundo adoraria estar naquele Brasil da televisão”, disse ao microfone. Aos jornalistas foi bem mais direto (e desrespeitoso). “Eu vou mostrar para vocês como a Dilma é mentirosa. É simples, peguem o Jornal da Globo de anteontem (segunda-feira) e vejam ela dizendo que sim, que o PT conversa com as FARC. (...) saiu na Veja várias vezes. Eles tiveram a coragem de pedir um direito de resposta na Veja sem ter o que dizer. Taí uma mentira dela. A outra é dizer que não tem nada a ver com os vazamentos”. E o candidato amplificou os ecos da oposição sobre o suposto vazamento. “O governo está aparelhadíssimo. E nós vamos trabalhar, não para que o governo apoie os partidos, mas para que os partidos trabalhem para o Brasil”.

Além das acusações fortes, o deputado federal fez críticas programáticas. O tema que mais abordou foi o da infraestrutura. Aproveitou sua passagem por Pelotas e Rio Grande para criticar o andamento das obras da BR-392 que liga os dois municípios. “Eu vou a Pelotas há 39 anos. A estrada não mudou nada. Só que tem quatro pedágios para ir e quatro para voltar”, disse o candidato, que tem parentes na cidade. “Vieram aqui (no estado), lançaram pedra fundamental e não concluíram as obras. Algumas não saem do papel. Os problemas estão grandes na área da infraestrutura. E não é só no Rio Grande do Sul, não. É no Brasil inteiro”, completou.

Juventude e experiência

“Eu sou muito mais preparado que ela (Dilma)”, disse Índio da Costa, sem hesitações. Para justificar a afirmação, citou seu currículo em cargos eletivos e até o fato de ter sido subprefeito do bairro de Copacabana – “com 185 mil habitantes, quase do tamanho de Pelotas”. E minimizou a popularidade do governo atual. “Quem tem popularidade é o Lula. E tem porque é simpático. O governo não tem popularidade. Tem índices ruins (de aprovação) na saúde, na educação, na segurança pública. Se ela (Dilma) é a gerente desse governo, ela tem que ir para casa no dia 31 de dezembro”.

Índio da Costa reivindica para si a imagem do político jovem com ideias modernas de administração, ousado e antenado no contato com a população, via redes sociais. Criticou o inchaço da máquina pública pelo atual governo (embora tenha prometido criar o Ministério da Segurança Pública), e garantiu ter visão atualizada sobre a eficiência da máquina. Disse que acreditou no projeto da Lei da Ficha Limpa, quando os políticos mais velhos duvidavam que pudesse ser votada. Aposta que uma virada nas eleições pode ocorrer com o uso da internet. “Estamos cadastrando voluntários no site da campanha. Em três dias, já temos 15 mil pessoas. Chegaremos a um milhão até o dia do primeiro turno”, afirmou. E se gabou de suas habilidades na rede mundial de computadores. “Eu saí de 1200 seguidores no Twitter, para cerca de 120 mil”.

Se isso vai ter efeito para a campanha, é difícil precisar. Ao menos, o estilo do candidato agradou a vários militantes (especialmente, mulheres) presentes no Galpão Crioulo, que se acotovelaram para tirar uma foto a seu lado.

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