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Impressões sobre o debate RedeTV!/Folha

por Celso Marcondes — publicado 13/09/2010 18h20, última modificação 14/09/2010 10h17
Superficialidade nos temas centrais, abundância de acusações contra a campanha de Dilma Rousseff
Impressões sobre o debate RedeTV!/Folha

Superficialidade nos temas centrais e abundância de acusações contra a campanha de Dilma Rousseff. Por Celso Marcondes.

Superficialidade nos temas centrais, abundância de acusações contra a campanha de Dilma Rousseff

O debate entre os presidenciáveis da dupla RedeTV!/Folha de S.Paulo deste domingo teve uma audiência média em São Paulo de 3,2 pontos, com pico de 6,5. Iniciado às 21 horas, em pleno “horário nobre”, foi um resultado significativo, se considerado que ele concorreu com líderes de audiência das demais emissoras.

Muito prejudicado pelo tempo exíguo que foi destinado para os candidatos apresentarem seuas perguntas e respostas,  ele se concentrou  na discussão a respeito das denúncias contra a campanha da Dilma Rousseff: o crime da Receita Federal e, a novidade do final de semana, o caso que envolve a ministra Erenice Guerra, da Casa Civil.

Coube  a José Serra os ataques mais contundentes, embora Marina Silva também não tenha se furtado a entrar no tema. Plínio de Arruda Sampaio, o único a esbanjar tranquilidade e bom-humor, jogou este debate para escanteio, ao responder a José Serra - que buscava apoio para retomar o assunto - , com um solene “o PSOL nâo tem nada a ver com isso, é problema entre vocês dois”.

Temas vitais para o momento ficaram completamente de fora das discussões ou foram tratados rapidamente. Mesmo as duas jornalistas escaladas para fazer perguntas aos candidatos preferiram eleger os assuntos na pauta na grande mídia do que inquirir sobre os grandes problemas nacionais.

Alvo preferencial, Dilma se saiu razoavelmente do bombardeio. Alternou momento de implícito nervosismo, com frases contundentes e seguras contra Serra. Chamou de “caluniador” e “dono da verdade”. Seu momento mais delicado ocorreu quando foi questionada sobre a matéria da revista Veja desta semana, que acusa Erenice Guerra de permitir o tráfico de influência de seu filho Israel dentro de órgãos de governo. À pergunta “você colocaria sua mão no fogo por Erenice”, ela respondeu: “o que eu quero deixar claro é que eu não concordo, não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma minsitra”.

Serra, coerente com sua nova linha de atuação, não economizou críticas ao governo presidente Lula, mas se embananou total quando inquirido por umas das jornalistas, que quis saber porque usou a imagem do presidente em um dos seus primeiros programas no horário do TRE. Aturdido, ele tentou explicar que Lula “era um fato” e que só havia usado a imagem do presidente “por 5 segundos” e “não entendia toda a repercussão em função disso”.

A primeira impressão é a de que o evento pouco contribuiu para o esclarecimento do eleitorado. Sua realização - e a repercussão que gerou na mídia – não vai alterar em quase nada as declarações de intenções de votos da população, o que favorece Dilma Rousseff, líder em todas as pesquisas.

Os dois últimos debates na televisão antes do primeiro turno estão agendados para os dias 26 e 30 de setembro, nas rede Record e Globo, respectivamente.

E você, caro leitor, o que achou do debate?

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