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Política

Eleições 2016

Crise política nacional apimenta debate em SP

por Rodrigo Martins publicado 03/09/2016 02h32, última modificação 03/09/2016 04h51
Líder nas pesquisas, Celso Russomanno volta a ser poupado de ataques dos rivais, embolados em acirrada disputa por vaga no segundo turno
Reprodução
Debate da RedeTV!

Perguntas relacionadas à política nacional, como o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, marcaram o debate

A exemplo do ocorrido no encontro anterior, o deputado Celso Russomanno (PRB), líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, voltou a ficar à margem dos confrontos entre os demais candidatos à Prefeitura de São Paulo no debate transmitido pela RedeTV!, na noite desta sexta-feira 2.

O candidato à reeleição Fernando Haddad (PT), a senadora Marta Suplicy (PMDB), a deputada Luiza Erundina (PSOL) e o empresário João Doria Jr. (PSDB), embolados na disputa por uma vaga no segundo turno, protagonizaram os duelos mais incisivos, temperados por perguntas relacionadas à crise política nacional, como o impeachment de Dilma Rousseff e as investigações da Operação Lava Jato.

Pela primeira vez reunida com os demais candidatos, uma vez que teve a participação vetada por adversários no primeiro debate, promovido pela TV Bandeirantes, Erundina cobrou de Haddad uma posição mais assertiva sobre o que representa a destituição da presidenta Dilma pelo Senado. “Não ouvi neste processo de golpe você se manifestar a respeito. Disse antes que a palavra é dura. Houve ou não houve golpe?”, provocou.

O petista justificou que, ao dar a declaração, fazia uma distinção entre o golpe de 1964, promovido pelos militares, e o atual, “de caráter institucional”. "O Senado assumiu o afastamento reconhecendo que não houve crime", disse Haddad, ao lembrar que os senadores não cassaram os direitos políticos de Dilma.

Erundina, que foi prefeita pelo PT entre 1988 e 1992, insistiu no tema. “Golpe é golpe, seja militar ou parlamentar”, afirmou, ao criticar a postura “hesitante” do prefeito.

Acuado, Haddad subiu o tom. “Se eu fosse hesitante não estaria por 30 anos no mesmo partido. Quem fica mudando de partido a cada cinco anos não sou eu”, rebateu o petista, antes de acusar Erundina de favorecer a direita com uma postura divisionista. “Somos do mesmo campo de esquerda. Você divide o campo democrático popular”.

Erundina também buscou o confronto com Marta. Perguntou como ela se sente, como feminista, ao apoiar Michel Temer, alçado ao poder com a queda de Dilma e chefe de um governo integrado apenas por homens. Criticou, ainda, o fato de a peemedebista tê-la vetado no último debate, impedindo a “participação de uma mulher”. Em resposta, Marta disse que não compete à adversária emitir “atestados de feminismo”.

Marta também tornou-se alvo de Doria. O tucano afirmou que ela “adora uma taxazinha” e não hesitou em chamá-la pelo maldoso apelido atribuído pela oposição da ex-prefeita: “Martaxa”. A peemedebista pediu formalmente um direito de reposta e recriminou a postura do adversário: "Se ele quer ser prefeito, deveria ter mais compostura ao falar comigo".

Marta também criticou a proposta de Doria de integrar a saúde municipal com a estadual. "Como unindo o ruim o péssimo vai resolver a saúde?"

Na rabeira das intenções de voto, Major Olímpio também colocou Doria na defensiva ao criticar o PSDB por conceder um dos “piores salários” aos servidores. “Os policiais ainda dizem que o PCC mata na hora e o PSDB vai matando aos poucos”, declarou o candidato do Solidariedade, que curiosamente integra a base do governador tucano Geraldo Alckmin. “Tenho por princípio a serenidade”, disse Doria, fugindo da arenga.

Questionado por um jornalista da revista Veja sobre a Lava Jato, inclusive por delações que mencionam supostos repasses para a sua campanha em 2012, Haddad disse que “se a operação for seletiva e escolher alvo, só o PT, não vai entregar o que cumpriu”. E citou nomes da cúpula do PMDB e do PSDB que também são investigados e alvos de delações.

Poupado da artilharia dos adversários, Russomanno optou por tecer críticas à atual gestão da cidade, sem citar o nome Haddad para evitar confrontos. Em ao menos um momento, a tática não deu certo. Ao reprovar a ausência de cooperação entre a prefeitura e o governo estadual, recebeu uma resposta atravessada do petista: "Celso, 22 anos de governo do PSDB no Estado, você acha que uma parceria com eles vai surtir algum efeito? Em que mundo que você vive? Não há a menor condição".

As sondagens eleitorais ajudam a explicar por que Russomanno tem sido preservado pelos adversários nos debates. De acordo com a mais recente pesquisa, divulgada pelo Ibope no fim de agosto, o candidato do PRB lidera a disputa pela capital paulista com larga vantagem: 33%. Na segunda colocação, figura Marta, com 17%. Haddad, Erundina e Doria estão empatados no terceiro lugar, com 9% das intenções de voto.