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Pernambuco

Ibama paga R$ 1,7 mil por cada árvore cortada em seu quintal

por Redação Carta Capital — publicado 19/09/2011 19h49, última modificação 20/09/2011 11h04
Serviço semelhante custa 40% a menos, segundo procurador da CGU. Órgão diz que serviços são necessários

Na sede regional em Recife do Ibama, o instituto responsável por zelar pelo meio ambiente nacional, cerca de 25 árvores atrapalham o caminho dos servidores ou convidados que se dirigem ao estacionamento da entidade. Precisam ser podadas ou erradicadas. Para o serviço, o órgão responsável por autorizar ou não o desmatamento pelo País contratou, por meio de licitação, uma empresa do Paraná para o serviço. O preço total do serviço: 44 mil reais. Ou seja, cada árvore podada (ou erradicada) custará aos órgãos públicos cerca de 1.760 reais.

O valor do serviço pareceu exagerado para o procurador federal da Advocacia Geral da União Edvaldo de Souza Oliveira Neto. De acordo com o Ibama, os trabalhos são necessários para a segurança das pessoas que passam pelo estacionamento da sede, onde as árvores estão localizadas, devido ao risco de queda de galhos. “Realmente são necessários, mas o valor não justifica”, diz Neto.

Após acessar o edital do pregão eletrônico, o procurador foi atrás de comparativos que demonstrassem que o preço pago à empresa vencedora, a Paraná Verde, estava fora da realidade. Num pregão realizado pela prefeitura municipal de Pinhais, no Paraná – mesmo estado da empresa contratada pela superintendência do Recife – o preço pago pelo serviço de poda representa menos da metade do praticado pelo Ibama.

A conta foi feita pelo jornalista Celso Calheiros, para o site ((o)) eco Notícias: em Pinhais, o serviço mais caro é o corte de árvore alta sob fiação, 720 reais. Multiplicado pelo número de árvores no Ibama, chega-se a 18 mil reais, 40% do que foi pago pelo instituto. Soma-se a isso um agravante: diferentemente do observado na superintendência do Recife, as condições de poda em Pinhais são consideradas mais complexas, com diversas árvores sob fiação elétrica.

Ao todo, 18 plantas serão podadas e sete, erradicadas. Também está prevista a retirada do entulho e o plantio de 40 mudas, fornecidas pelo próprio Ibama. A realização das podas ficou a cargo da empresa do Recife Reciflora, subcontratada pela Paraná Verde.

O procurador da AGU notificou o corregedor do órgão em Brasília, Marcos Lopes Guimarães. Em resposta a CartaCapital, o Ibama informou por e-mail que um processo administrativo foi aberto para averiguar a suposta irregularidade e que o assunto está sendo apurado. O corregedor-geral do órgão requereu à superintendência pernambucana as cópias do processo administrativo de contratação dos serviços de poda. 

Desde que a contestação sobre o serviço foi veiculada pela mídia local, os trabalhos na área verde da superintendência foram interrompidos. “O órgão afirma que a interrupção ocorre porque o engenheiro responsável pelo acompanhamento do serviço está em viagem”, diz Neto.

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