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Hobsbawm foi capaz de compreender a natureza e a evolução do capitalismo, diz Belluzzo

por Gabriel Bonis publicado 02/10/2012 14h36, última modificação 02/10/2012 14h52
Para o consultor editorial de CartaCapital, o pensador não deve ser rotulado de historiador porque suas obras trancendem o aspecto histórico
folhapress eric hobsbawn

O historador Eric Hobsbawm em Parati (RJ), durante visita ao Brasil em 95. Foto: Evelson de Freitas/Folhapress

A morte do historiador marxista britânico Eric Hobsbawm na segunda-feira 1º, aos 95 anos, deixou o mundo acadêmico e intelectual sem um dos pensadores imprescindíveis do século XX, cuja obra marcou a formação de economistas, historiadores e sociólogos. “Até hoje usamos seus livros, porque ele foi um homem capaz de compreender a natureza e a evolução do capitalismo e ao mesmo tempo colocou isso em uma perspectiva muito aberta”, aponta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor editoriale colunista de CartaCapital.  

Dono de uma vasta obra, o trabalho do britânico costuma ser utilizado para embasar pesquisadores, estudantes e leitores de diversas áreas, desde a História à Economia. Algo que, segundo Belluzzo, não permite rotular sua produção. “Ele era um pensador da mesma natureza de Keynes. Não se pode chamar Keynes de economista, assim como não se pode colocar um rótulo de economista e historiador em Hobsbawm”, diz. “Dominava as questões econômicas e as tratava com muita propriedade. Seus textos sobre as sociedades que nascem da segunda revolução industrial são brilhantes.”

Hobsbawm, que morreu de pneumonia em Londres, tem como livro mais famoso a Era dos Extremos (1994), no qual narra sua perspectiva sobre o que chama de “breve século XX”, o período iniciado com o começo da Primeira Guerra Mundial, em 1914, até o colapso da União Soviética, em 1991. O livro foi traduzido para quase 40 línguas e recebeu muitos prêmios internacionais. “Hobsbawm é importante para ajudar a entender os caminhos e descaminhos do movimento socialista e do século XX”, afirma Belluzzo.

O consultor editorial de CartaCapital lembra também que o britânico veio ao Brasil para um seminário na Unicamp em 1975 e teve um papel importante nas discussões da redemocratização do país. “Gostava muito de jazz e era um admirador do futebol brasileiro.”

Hobsbawm é reconhecido também por sua história do “longo século XIX”, que para ele se deu entre o início da Revolução Francesa (1789) e o início da Primeira Guerra Mundial (1914). A história do “longo século XIX” foi publicada em três volumes – A Era da Revolução: Europa 1789-1848, A Era do Capital: 1848-1875 e Era do Império – 1848-1914.

Biografia

Nascido em 9 de junho de 1917 em uma família judaica de Alexandria, Egito, Hobsbawm foi criado em Viena no período entre as duas grandes guerras mundiais, antes de seguir para Berlim em 1931. Ele se mudou para Londres dois anos depois, quando os nazistas chegaram ao poder.

Depois de estudar História e obter o Doutorado na Universidade de Cambridge, Hobsbawm se tornou professor em 1947 no Birkbeck College de Londres, centro ao qual seguiu ligado por toda a carreira. Também foi professor convidado na Universidade de Stanford, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Cornel.

Com informações da AFP. Leia mais em AFP Móvil

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