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Hitler, Mussolini e a campanha eleitoral

por Cynara Menezes — publicado 16/09/2010 14h00, última modificação 16/09/2010 14h45
Oposição muda estratégias e compara Lula a ditadores
Hitler, Mussolini e a campanha eleitoral

Oposição muda estratégia e compara Lula a ditadores. Por Cynara Menezes. Foto: Agência Brasil

Oposição muda estratégias e compara Lula a ditadores

Com o candidato José Serra estacionado nas pesquisas mesmo após três semanas de fabricação ininterrupta de factóides pela imprensa, a oposição começou nos últimos dias a desenhar uma nova e desesperada estratégia: comparar o presidente Lula, eleito, reeleito e prestes a fazer sua sucessora democraticamente, a ditadores nazistas.

Primeiro foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que retornou do ostracismo em que foi jogado pelos próprios correligionários para comparar Lula a Benito Mussolini. "Outro dia eu vi um filme sobre o Mussolini, 'Vincere'. Fiquei horrorizado porque o Mussolini tinha quase unanimidade. Todo mundo estava do lado dele", contou FHC. "Faltou quem freasse o Mussolini. Claro que Lula não tem nada a ver com ele no sentido específico, mas o estilo, dizer 'eu sou tudo, quero o poder total', não pode. Alguém tem que parar", conclamou o tucano mor, para quem Lula é o "chefe de uma facção" por fazer campanha para sua candidata, Dilma Rousseff.

Fernando Henrique repercutia uma frase do presidente Lula do dia anterior, segunda-feira 13, em comício em Santa Catarina. Lula disse aos eleitores ali presentes que era preciso "extirpar o DEM da política brasileira". Como já virou prática, a fala do presidente em relação ao ex-PFL e ex-Arena se transformou, sob a ótica dos colunistas da grande imprensa, em uma tentativa de "extirpar" a oposição no país como um todo.

O presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, aquele que um dia exortou os brasileiros a "acabar com a raça" do PT, colocou o filho Paulinho para repetir a cantilena ensaiada do "nazifascismo" de Lula. "O presidente tem de estar são e lavar a boca para falar dos Bornhausen em Santa Catarina", declarou Paulinho bem no estilo familiar, acusando Lula de "mostrar a verdadeira face de protótipo de ditador". Na quarta-feira 15, foi a vez de outro príncipe herdeiro do DEM, Rodrigo Maia, filho de César, fazer coro, dizendo que o desejo de Lula de extirpar seu partido da política "lembra a perseguição dos nazistas aos judeus". No mesmo dia, em Juazeiro do Norte, no Ceará, o tucano Tasso Jereissati comparou Lula a Hitler, Mussolini e ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner.

Não deixa de causar espanto, neste momento, a iniciativa da Folha de S.Paulo de ressuscitar um velho anúncio de televisão, de 1987, em que cantava loas a si própria como o "jornal que mais se compra e nunca se vende". Com sua credibilidade abalada por sucessivas reportagens contra Dilma sem similares contra o candidato tucano, a Folha fez reportagem anunciando a ressurreição do comercial "premiado", que voltou ao ar justamente nos intervalos do último debate entre os presidenciáveis, na rede TV!, no domingo. O texto da peça: "Este homem pegou uma nação destruída, recuperou a economia e devolveu o orgulho a seu povo. O número de desempregados caiu, o produto interno cresceu, a renda per capita dobrou, o lucro das empresas aumentou..." No final, "este homem" aparece: é Hitler.

Alusão a Lula? Coincidência? Haverá quem fale em teoria de conspiração. E haverá quem fale também em orquestração. No ponto a que chegou a campanha eleitoral, não seria forçado dizer que infelizmente nada mais é fortuito.

Cynara Menezes no Twitter http://twitter.com/cynaramenezes

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