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por Coluna do Leitor — publicado 15/12/2010 09h02, última modificação 15/12/2010 11h09
O leitor Pedro Benedito Maciel Neto escreve sobre a busca pela democracia pelos jovens heróis da luta armada

Pedro Benedito Maciel Neto, nosso leitor, escreve  sobre a busca  pela democracia feita pelos jovens heróis da luta armada

Por Pedro Benedito Maciel Neto*
Passado o processo eleitoral resolvi escrever esse artigo para alguns jovens, meninos e meninas a quem amo gratuitamente...
Esses jovens que na infância e adolescência (um tempo infinito e de múltiplas possibilidades) compartilharam aventuras e desventuras com meus filhos e sobrinhos, me surpreenderam, pois eu acreditava de fato conhecê-los, afinal eles entravam e saiam lá de casa tantas vezes e em várias ocasiões e circunstâncias, mas eu não os conheço de fato e eles nada conhecem sobre nossos heróis ou sobre heroísmo...
Apesar de estarem sempre envolvidos e engajados com projetos generosos, serem sorridentes e donos de alegria perene e sem culpa, o que eu admiro tanto neles, esses mesmos jovens (ou alguns deles) se deixaram envolver pela critica vazia e alienante que buscou - e ainda busca – transformar ou equiparar nossos heróis da luta contra a ditadura militar em delinqüentes e malfeitores.
Confesso que fiquei chocado com algumas das manifestações e a aversão desses jovens contra aqueles que arriscaram a própria vida em defesa da democracia e da liberdade.
A luta armada mereceu e merece criticas enquanto ação tática de combate, resistência e denuncia contra o regime de exceção, mas nenhuma critica – racional – retira daqueles jovens que tombaram ou daqueles que sobreviveram o único adjetivo que validamente lhes cabe: HERÓIS e suas ações são exemplos clássico de heroísmo.
São heróis porque estavam dispostos na luta pela democracia e por seus ideais a dar a vida aos seus irmãos, são heróis porque renunciaram a tanto e nada buscavam para si próprios, são heróis porque eram mais que justos, eram generosos.
O “Herói” é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Para os Gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e uma mortal (Hércules, Perseu), ou vice-versa (Aquiles). Portanto, o herói tem dimensão semi-divina.
Se o povo brasileiro elegeu e reelegeu Lula, um migrante, operário e sem curso superior como presidente o fez para dizer ao mundo: “sim, nós [o povo] podemos” e agora elegeu uma mulher que renunciou ao conforto de sua vida de classe média alta da então conservadora Belo Horizonte dos anos 60 e entregou-se à luta contra a ditadura militar para calar as elites ecadentes e resistentes ao  novo e ao povo.
O povo brasileiro é sábio e devolveu a toda uma geração seu lugar na História, um lugar que se lhe havia sido arrancado pelos maus militares.
O poeta campineiro Guilherme de Almeida disse certa feira “deixei de ser eu para ser nós”, e Lla e Dilma não representam apenas o que parecem representar, representam a nação que o povo brasileiro quer ver forjada, uma nação que transcende a si mesma, que transende a sua condição humana e finita e que é capaz representar facetas e virtudes que o homem comum não consegue mas gostaria de atingir: fé, coragem, força de vontade, determinação, paciência, justiça, lealdade, amor, afeto, amizade, etc, uma nação heróica.
Uma nação de heróis como Lula e como Dilma, os quais guiados por ideais nobres e altruístas – liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz chocam os desavisados e os alienados.
Aos jovens a quem me referi no inicio do artigo indico que assistam o documentário No Olho do Furacão, lançado em 2003 no Brasil, o qual reúne entrevistas com diversos ex-militantes de esquerda, que pegaram em armas e foram presos ou exilados durante a ditadura militar brasileira. Dirigido por Toni Venturi – diretor de outros filmes relacionados a este período – e Renato Tapajós – um ex-guerrilheiro e o também premiado Cabra-cega, que é um filme brasileiro de 2005, dirigido por Toni Venturi, que trata de forma ficcional desse periodo tão real.
Penso que o documentário e o filme mostrarão de forma inequivoca quem são os heróis e porque.
Pedro Benedito Maciel Neto, 46, advogado e professor universitário, autor de “Reflexões Sobre o Estudo de Direito”, ed. Komedi (2007). www.macielneto.adv.br

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