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Política

Entrevista - CartaCapital

Haddad: Recuo no aumento da tarifa de ônibus pacificou SP

por Redação — publicado 19/08/2013 19h36
O prefeito afirmou que o aumento da véspera não era capricho da administração, mas que a revogação serviu para retomar o diálogo

Dois meses após os protestos iniciados em São Paulo e que tomaram as ruas do País, em junho, o prefeito Fernando Haddad afirmou nesta segunda-feira 19, em entrevista a CartaCapital, que o recuo em relação ao aumento das tarifas de ônibus da capital foi uma maneira de pacificar a cidade e restabelecer o diálogo com a população.

“O aumento da véspera não foi um capricho da administração. Não tínhamos capacidade (no orçamento) para isso. Mas houve uma conjuntura e, por questões de segurança da cidade, comprometida na véspera, tomamos uma medida para pacificar a cidade e recuperar a capacidade de diálogo, dificultada pela ação da policia, e pd[uela reação à ação policial”.

Sobre as críticas de como reagiu ao movimento, citou a criação da Controladoria Geral do Município, “que explora possibilidades de economia para os cofres públicos”, e o cancelamento da licitação para contratar empresas de ônibus em São Paulo. Como argumento, disse que precisava de tempo para que sua equipe tomasse conhecimento de todas as planilhas relacionadas ao sistema de transporte. “Eu jamais autorizaria um secretario a assinar um contrato de 15 anos sem que a sociedade esteja ciente de que aquele serviço é justo ao serviço prestado”. Ele lembrou também o projeto de implementação de um bilhete único mensal, que permitiria ao usuário fazer quantas viagens quiser pela cidade.

Segundo Haddad, a circunstância é favorável à transparência e à reavaliação de contratos juntos com os empresários. Ele lembrou que, antes da implementação do Bilhete Único, na gestão Marta Suplicy (PT), “não tínhamos ideia das receitas reais do sistema antes do bilhete único”. “Havia dúvidas sobre isso, e essa duvida acabou. Hoje é registrado na catraca, e o sistema não permite desvios. Falta dar transparência das despesas para saber a margem real de lucro dos empresários”. Ele citou a existência de um oligopólio na produção de carroceria e chassi de ônibus como uma das barreiras para a entrada de novas empresas na concorrência. “O controle começa na produção dos veículos.”

O prefeito disse ter como desafio melhorar o serviço público na cidade e que boa parte da agenda das manifestações estava em consonância com a prefeitura. No entanto, afirmou ter visto “muitas pautas conservadoras, um saudosismo dos períodos em que a democracia era mais frágil no Brasil”.

Segundo o prefeito, os protestos serviram como estímulo para acelerar o passo em projetos como o Plano Diretor e a reforma na grade escolar do município.