
Lula, durante evento em março de 2007 com o ministro Fernando Haddad, hoje favorito para concorrer à prefeitura em SP. Foto: Dida Sampaio/AE
O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou, em entrevista concedida ao portal iG, que dificilmente os “outros quatro” pré-candidatos do PT em São Paulo desistirão, até novembro, de concorrer à prefeitura. A declaração foi feita na última sexta-feira, três dias antes da divulgação da pesquisa Datafolha que apontou favoritismo de Marta Suplicy na disputa – na simulação mais apertada, a ex-prefeita tem 11 pontos de vantagem sobre José Serra (PSDB).
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Os outros pré-candidatos são Jilmar Tatto, Carlos Zarattini e Eduardo Suplicy. Favorito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad disse acreditar que o impasse entre os pré-candidatos poderá ser decidido por meio de prévias. Seria o mundo ideal para Marta, que poderia faturar em cima da ideia, defendida por alguns petistas, de que Haddad deveria “suar” mais antes de ser ungido candidato.
Sabendo disso, o ministro tentou mostrar sintonia, durante a entrevista, com o partido. Disse, por exemplo, que sua eventual candidatura não faz parte de um projeto pessoal, mas sim de uma consulta feita anteriormente pelos “companheiros” (leia-se Lula). Afirmou também que os problemas relacionados à cidade foram identificados por ele durante as caravanas (encontro de militantes em seus redutos) feitas por São Paulo. Haddad disse também que o PT vai se apresentar como oposição à gestão de Gilberto Kassab, que ensaia, com seu PSD, uma aproximação com a presidenta Dilma Rousseff.
Entre os erros do governo Kassab, ele listou o fechamento de hospitais, problemas de acesso à educação básica, falta de transporte de massa adequado e a segurança.
Numa tentativa de apresentar suas credenciais, disse ser o primeiro ministro da Educação que serve a dois presidentes e lembrou que, em sua gestão, a porta de acesso às universidades foi alargada com o Enem. Antes, afirmou, apenas milhares de pessoas faziam o vestibular, e hoje o universo supera 5 milhões de estudantes. “O Brasil é o último país do mundo que ainda tem vestibular”, disse.
A fala, como se vê, demonstra a confiança de quem foi ungido simplesmente pela principal figura capaz de decidir a eleição: Lula. A mesma pesquisa que apontou favoritismo da ex-prefeita colocou o ex-presidente nesta posição, já que nada menos do que 40% dos entrevistados disseram que podem votar no candidato indicado por ele.
Ao dizer que não acredita que “os outros quatro”, Marta entre eles, desistam por bem, Haddad parece dar o recado: vão desistir por mal. Não ignora, assim, o estrago que o eventual vencedor das prévias pode ocasionar ao contrariar o principal nome da eleição. Que, agora, já começou.
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