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Política

Mundial 2014

A 49 dias da Copa, governo tenta melhorar o "clima"

por Renan Truffi publicado 24/04/2014 21h29, última modificação 24/04/2014 21h32
Para secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, insatisfação de parte da sociedade contra o evento é em razão da "falta de informação"
Elza Fiuza /Agência Brasil
Gilberto Carvalho

Para Carvalho, há uma percepção de que a Copa do Mundo no Brasil foi o “paraíso dos ladrões”, o que, segundo ele, não é verdade

Faltando pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo, e em meio à preocupação de que novos protestos se espalhem pelo País durante os jogos, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, fez nesta quinta-feira 24 o que chamou de “autocrítica” da postura do governo federal em relação à sociedade e aos movimentos sociais no que se refere a organização do evento. Antes de entrar para um debate sobre o assunto com ONGs e entidades civis em São Paulo, ele admitiu à imprensa que houve uma “demora” para abrir um diálogo.

“Demoramos. Tenho que reconhecer isso. Não há porque negar e, com isso, de fato nós reconhecemos que sonegamos algumas informações. Infelizmente, nem sempre a cobertura jornalística consegue dar essas informações, não sei por qual razão, mas, por exemplo, esses dados do que se investiu na Copa do Mundo, na saúde, em infraestrutura e educação, as pessoas não têm. Eu lamento isso. Então concordo que demoramos ainda que muitos esforços tenham sido feitos, mas antes tarde do que nunca. Nós vamos seguir até o último dia antes da Copa e também durante o evento com esse debate”, explicou.

Ao reconhecer a falta de comunicação, Carvalho deu a entender qual deve ser o novo discurso do governo a respeito do evento. Isso porque, para o secretário-geral, há uma percepção de que a Copa do Mundo no Brasil foi o “paraíso dos ladrões”, o que, segundo ele, não é verdade. Com isso, o objetivo do governo federal até a chegada dos jogos é “reverter esse clima”.

“Nós estamos determinados a romper a desinformação que permitiu que se formasse a ideia que a Copa foi o paraíso dos ladrões, um paraíso da Fifa que veio aqui e nos impôs. Não é verdade essa imposição da Fifa. Acabei de falar e a Nadia (Campeão, vice-prefeita de São Paulo) vai poder falar agora o que São Paulo negociou adequadamente. A nossa perspectiva é de reverter e tenho certeza que vamos reverter esse clima porque nós sabemos quem é o povo brasileiro. O povo brasileiro que gosta de festa, gosta de ver o dinheiro público bem investido”, contou.

Carvalho também voltou a falar dos protestos em tom conciliador, sem, no entanto, criticar as manifestações violentas que acontecem com alguma frequência nas principais capitais brasileiras desde junho do ano passado. “Na nossa avaliação, nós não teremos grandes atos de violência na Copa. Essa é a nossa perspectiva porque entendemos que a índole do brasileiro é pacifica, de luta democrática pacifica. As 12 cidades estão sendo visitadas por nós exatamente para dialogar, esmo com aqueles que resistem ao diálogo. Nós vamos ser teimosos porque não acreditamos, sinceramente, que as pessoas que têm todas as informações sobre a Copa possam fazer algum tipo de protesto violento”, criticou.

Por fim, ele deu uma prévia dos argumentos que devem ser usados pelo governo para defender a importância da Copa no Brasil e procurou rebater críticas. “Estamos fazendo esse debate com os movimentos sociais com a sociedade porque é importante que as pessoas saibam realmente sobre a Copa do Mundo. A Copa traz investimentos econômicos, de geração e produção de infraestrutura. Queria alertar aqueles que diziam que o brasil é incapaz de ter uma Copa do Mundo que os estádios estão quase todos prontos. Não há um tostão do orçamento geral da União no evento e todo mundo diz que tem. São R$ 8 bilhões que foram investidos no estádios, parte por empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e parte de recursos estaduais, é verdade. Mas não há competição dos recursos com o orçamento da saúde. O Brasil tem um orçamento da saúde de R$ 102 bilhões de reais, portanto, nada a ver com a Copa”, defendeu.