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Grileiros matam mulher e criam clima de terror no Amazonas

por Redação Carta Capital — publicado 17/04/2012 10h41, última modificação 06/06/2015 18h22
Leia a carta de repúdio escrita por pesquisadores e ativistas da região do Médio curso do Rio Purus sobre o conflito entre madeireiros, índios e ambientalistas

Nós, pesquisadores, professores, estudantes, trabalhadores e integrantes dos movimentos sociais, jornalistas, membros e associados do Coletivo PURUS*, viemos através desta manifestar nossa indignação e profunda preocupação com as violências sofridas por extrativistas nos últimos meses na região sul do Estado do Amazonas e norte de Rondônia. 

No último dia 31 de março, a senhora Dinhana Nink, jovem de 28 anos, mãe de 3 filhos, foi cruelmente assassinada na frente de seu filho de 5 anos, pelo simples fato de ser moradora do assentamento Gedeão (município de Lábrea, AM) que está sendo alvo, há vários anos, e entre outras diversas comunidades da região, de interesses de grileiros de terras. Dinhana já vinha sofrendo ameaças por parte de madeireiros e já havia sofrido intimidações e agressões em novembro de 2011 por apoiar o movimento de denúncia da grilagem de terra no Sul do Amazonas. Em longa e detalhada matéria publicada no dia 29 de fevereiro de 2012, o jornal digital A Pública detalhou a situação dessas pessoas que vivem sob ameaça constante por parte de grileiros e madeireiros na região, pelo simples fato de defenderem a floresta em pé, o bem comum da população brasileira. Esses fatos mais recentes  são apenas a sequência do que vem ocorrendo na região, onde no ano passado, outra liderança (Dinho) foi assassinada, sem que desde então seja tomada nenhuma medida concreta para a resolução do problema, além da mobilização da Força Nacional para a proteção de alguns destes ameaçados de morte.

Gostaríamos também de ressaltar que essas situações vêm se multiplicando na região, que nos últimos cinco anos tem sido alvo do avanço galopante da frente agropecuária rondoniense e que casos, ainda isolados, de ameaças e intimidações já estão sendo registrados dentro de terras indígenas, como no caso da Terra Indígena Paumari do Lago Marahã, Comunidade Ilha da Onça.

O Coletivo PURUS vem assim alertar as autoridades (Ministério Público, Ministério da Justiça, SDH, Policia Federal, IBAMA, INCRA, FUNAI e Força Nacional), assim como a comunidade científica e a opinião pública para a gravidade dos acontecimentos recentes no Sul do Amazonas, solicitando imediatas providências das autoridades competentes para a resolução rápida dessas questões, a proteção efetiva dessas populações e as garantias plenas de seus direitos.

Quantas mortes anunciadas serão ainda necessárias para que as autoridades do país tomem consciência da importância da floresta em pé? Quantas mães e quantos pais serão mortos diante de seus filhos antes que o governo abra os olhos para o que está acontecendo na Amazônia? Que modelo de futuro, que exemplo está dando o país ao mundo e às gerações futuras dando as costas para o que tem de mais valioso: a floresta e seus habitantes ? Quantas árvores serão derrubadas e quantas vidas serão tomadas para que finalmente se respeitem os direitos básicos à terra, à liberdade e à vida daqueles que vivem pela floresta e que por ela estão morrendo?"

Leia mais sobre o caso:
“A ordem era tocar fogo com a gente dentro”
“Tomaram a frente, as fundiárias e depois as costelas”
“Tem muita gente sumida, enterrada lá para dentro”

 

*O Coletivo PURUS é uma rede que reúne pesquisadores e ativistas da sociedade civil que trabalham na região do Médio curso do Rio Purus, assim como comunidades e lideranças tradicionais que lá habitam. O Coletivo PURUS foi constituído em abril de 2010, no Primeiro Encontro Purus Indígena realizado na Universidade Federal do Amazonas, em Manaus.

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