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Greve dos Bancários atinge 10º dia

por Redação Carta Capital — publicado 08/10/2010 11h14, última modificação 08/10/2010 16h06
Nenhuma negociação está em vista, relações continuam tensas entre bancários e banqueiros

Nenhuma negociação está em vista, relações continuam tensas entre bancários e banqueiros

A greve nacional dos bancários continua nesta sexta-feira 8. As negociações estão emperradas, não há nenhuma reunião marcada entre bancários e FEBRABAN, nem qualquer contraproposta em avaliação. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, filiado à CUT, publicou em seu site hoje uma matéria que reflete bem o impasse e a tensão que a categoria vive. Ela é reproduzida abaixo:

"Fenaban faz terrorismo e não apresenta proposta
Em resposta ao Comando, federação dos bancos também não marca rodada de negociação e ainda repete inverdades

São Paulo - Em resposta à carta enviada na segunda-feira 4 pelo Comando Nacional dos Bancários, a Fenaban escreveu à Contraf-CUT nesta quinta-feira 7 para repetir inverdades e fazer terrorismo contra as entidades representativas dos trabalhadores. Mas não apresenta nenhuma nova proposta e nem marca nova negociação.

A Contraf-CUT propõe à Fenaban que marque data, local e horário para que os bancos possam apresentar uma proposta global e decente para acabar com a greve que já dura nove dias.

"Além de não trazer nenhuma proposta, a carta da Fenaban é uma provocação às entidades sindicais e faz terrorismo, tentando jogar a população contra os trabalhadores. Essa irresponsabilidade dos bancos só fortalecerá a greve nacional que completa nove dias e segue crescendo em todo país", denuncia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

No documento que endereçou ao presidente da Fenaban, Fábio Barbosa, o Comando Nacional denunciou as práticas antissindicais dos bancos para tentar conter a greve - como o uso dos interditos proibitórios e da polícia, as ameaças e intimidações contra trabalhadores, a convocação para o trabalho de madrugada e o transporte de bancários por helicóptero - e reafirmou "a disposição em negociar, para que possamos continuar buscando um acordo que atenda a expectativa dos bancários, conforme a minuta de reivindicações entregue no dia 11 de agosto".

Por que só os bancos não negociam? - Na resposta enviada nesta quinta-feira, a Fenaban silencia sobre essas práticas antissindicais dos bancos, faz uma interpretação mal intencionada do histórico das negociações, com graves acusações aos dirigentes sindicais, e depois "reitera sua disposição de construir, na mesa de negociações, um acordo justo para bancários e bancos". Para o presidente da Contraf-CUT, além de fazer de terrorismo a carta da Fenaban é "um conjunto de palavras vazias para tentar ludibriar" os trabalhadores. "Entregamos nossa pauta de reivindicações há quase dois meses. Depois de cinco rodadas de negociações eles apresentaram a proposta de 4,29%, que só repõe a inflação do período, mesmo com os lucros recordes de R$ 25 bilhões do primeiro semestre", recorda.

"A proposta única de 4,29%, zero de aumento real e nada mais foi rejeitada pelas assembleias em todo o país, estamos em greve há nove dias e os bancos mantêm uma intransigência absurda. Outros segmentos econômicos, como metalúrgicos, petroleiros e telefônicos, negociaram e fizeram acordos com aumento acima da inflação sem que houvesse greve. Por que os bancos, que são mais lucrativos, não negociam?", questiona Carlos Cordeiro.

"Além disso, em vez de apresentar propostas concretas, os bancos ofendem os representantes dos bancários. Eles não estão agindo com seriedade", acrescenta o presidente da Contraf-CUT. "Com essa postura, os bancos estão apostando no confronto e no prolongamento da greve."

Para o dirigente, os bancos precisam apresentar a prometida proposta global. Os bancários reivindicam reajuste de 11%, valorização dos pisos salariais, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), medidas de proteção da saúde que inclua o combate ao assédio moral e às metas abusivas, garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades, previdência complementar para todos, fim da precarização via correspondentes bancários e mais segurança."

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