Você está aqui: Página Inicial / Política / Grajaú sem resposta

Política

São Paulo

Grajaú sem resposta

por Piero Locatelli — publicado 20/12/2013 14h51, última modificação 20/12/2013 14h53
Movimento Rede Extremo Sul não consegue informações sobre telefones e câmeras retidos pela prefeitura, além de agressões contra moradores
Rede Extremo Sul / Divulgação
Protesto Grajaú

Protesto de moradores do Grajaú no centro da cidade

Conteúdo
Pedido de acesso a informação.docx
Resposta da Subprefeitura.pdf

A Polícia Militar e Guarda Municipal desocuparam um terreno sem esperar que os moradores retirassem seus pertences, segundo os moradores de ocupação no Jardim Itajaí, parte do Grajaú, extremo sul de São Paulo. Eles dizem que diversos pertences de moradores e apoiadores foram apreendidos por policiais, incluindo telefones celulares, roupas e ferramentas. Eles também dizem que gás lacrimogêneo e balas de borracha foram usados contra quem estava na ocupação no dia 16 de setembro, incluindo idosos e crianças.

Diante disso, o movimento Rede Extremo Sul e o Instituto Práxis de Direitos Humanos fizeram um pedido de informação à subprefeitura da Capela do Socorro questionando “as razões que motivaram a reintegração de posse sem pedido judicial”.  O movimento pedia a localização dos objetos apreendidos e a sua devolução. Eles também questionavam quais medidas seriam tomadas para indenizar aqueles que não encontrarem seus objetos. (Leia a íntegra do pedido clicando aqui)

A resposta da subprefeitura, assinada pelo advogado Wilson Dias Simplicio, diz que “nenhum abuso foi cometido”. “Tudo foi estritamente dentro da legalidade, com fundamento na legítima defesa da propriedade,” diz a reposta da prefeitura. “Nenhum pertence foi subtraído de ninguém (...) aliás, para se ter indenização de alguma coisa ilegalmente subtraída ou destruída, antes de mais nada, é preciso provar documentalmente o domínio”. (Leia a íntegra da resposta clicando aqui)

O depoimento de um Policial Militar, durante a ocupação, desmente a versão da prefeitura. “Isso ai vai ser levado, mas não vai ser jogado fora. Isso aí vai ficar na subprefeitura. Isso foi recolhido e está lá, é só ir lá e retirar,” diz o PM em vídeo feito pela rede. Há também relatos de diversos moradores, que alegam ter sido agredido pelos policiais e mostram marcas de agressão.

A secretaria não respondeu no prazo legal de vinte dias. O pedido foi respondido mais de um mês após ter sido feito. Nele, o advogado também diz que os sem-tetos cometeram crimes. “As supostas entidades, principalmente a citada Rede de Comunicadores do Extremo Sul vem liderando pessoas (quase sempre as mesmas) em invasões de áreas públicas e particulares, destruindo vegetação nativa, levando insegurança jurídica para toda a região, cometendo crimes como, por exemplo: crime contra a administração pública; esbulho possessório; dano; etc.”

Em resposta, o movimento faz duras críticas à subprefeita escolhida por Fernando Haddad. “A subprefeita Cleide Padolfi e seus asseclas acham que a população da região é gado, que precisa ser tocado daqui para ali, sem capacidade de entender o que está fazendo. É por isso que eles ficam caçando líderes, e tentando desqualificar a organização popular,” diz texto no site do movimento.