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Governo tem "um rol de medidas" que pode usar, diz Mantega

por Brasil Econômico — publicado 07/04/2011 09h37, última modificação 07/04/2011 09h37
De acordo com o ministro da Fazenda, o governo não quer comprometer o investimento com as medidas para o câmbio, e ressaltou que o "remédio não pode ter efeito colateral"

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo ainda tem "um rol de medidas" que pode utilizar para conter a valorização do real.

Segundo ele, o governo não quer comprometer o investimento com as medidas para o câmbio, e ressaltou que o "remédio não pode ter efeito colateral". Mas o ministro disse que, se quisesse, o governo poderia tomar medidas mais drásticas.

O ministro deu as declarações durante evento na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, em que anunciou que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% deverá incidir sobre captações externas até dois anos.

Anteriormente, conforme medida lançada na semana passada, a taxação era aplicada apenas para operações com duração de até 360 dias. A medida visa conter a entrada de dólares e evitar a apreciação do real.

Desde o ano passado, o governo vem agindo para conter a valorização da moeda brasileira, com intervenções do Banco Central (BC) e elevações do IOF. O ministro defendeu a atuação, e disse que sem as medidas o dólar poderia estar em R$ 1,50 ou menos.

"Em parte, a valorização do real é inevitável", disse o ministro. Segundo Mantega, o fluxo de capital externo no primeiro trimestre foi muito forte, e é difícil rastrear o destino do dinheiro.

No acumulado do ano até março, o saldo de entrada e saída de dólares no país foi positivo em US$ 35,6 bilhões. A cifra já ultrapassa o saldo de todo o ano passado, que atingiu US$ 24,4 bilhões.

Mantega garantiu que o governo não cogita taxar o Investimento Estrangeiro Direto (IED) para conter o real. O IED, que representa os ingressos de capital estrangeiro no setor produtivo, somaram US$ 10,7 bilhões até fevereiro (dado mais recente). O montante é 209% maior do que o observado no mesmo período do ano passado.

O ministro ainda disse que não há necessidade de que o Fundo Soberano atue no mercado de câmbio. Em setembro do ano passado, o governo autorizou o Fundo Soberano a comprar dólares em volume ilimitado, mas a operação nunca foi realizada.

*Matéria publicada originalmente no Brasil Econômico

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