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Política

Andante Mosso

Governo busca base 'menor, mas confiável'

por Mauricio Dias publicado 17/07/2012 10h44, última modificação 17/07/2012 10h45
Quanto maior a base de apoio no Congresso, menor é a confiabilidade dela, escreve Mauricio Dias
Ideli

A ministra Ideli Salvatti. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

 

Freio de arrumação I
Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, trabalha intensamente na montagem de outro cenário de apoio ao governo no Congresso após as eleições municipais de outubro. Dilma quer uma base menor e mais consistente.

A ministra tem conversado com políticos mais confiáveis e, eventualmente, faz sondagens sobre possibilidade de alguns deles se deslocarem de um partido para outro dentro da própria aliança de apoio, porém, mais confiáveis.

Freio de arrumação II
Uma coleção bem razoável de exemplos, a começar pelo Código Florestal, mostra que quanto maior a base, menor é a confiabilidade dela. Nesse sentido, se for possível, a bancada do PSC pode murchar e ser expelida.

Dilma não tem boas lembranças do pastor Everaldo, forte liderança do partido, após a pressão sofrida por ela, em torno da liberação do aborto, na eleição de 2010.

Mistura brasileira
A partir de novembro, o Judiciário terá o seguinte comando: Um negro no STF (Joaquim Barbosa), um descendente de alemães no STJ (Felix Fisher), uma mulher no TSE (Cármen Lúcia), um gaúcho no TST (Oreste Dalazen) e um carioca no STM (almirante Alvaro Luiz Pinto).

Enigma
Demóstenes Torres se foi. Bateu a porta do gabinete e deixou atrás de si uma pergunta  ambígua. Ao tempo em que atuou como guardião da moral no Senado, ele simulava o que não
era ou dissimulava o que era?

Pedra no caminho
A pesquisa do EMData, para a eleição em Belo Horizonte, surpreendeu o candidato petista  Patrus Ananias. Ele aparece com 29% das intenções de voto, apenas oito dias após o fim da aliança entre o PT-PSDB que garantia a reeleição de Marcio Lacerda, hoje com 35%. A margem de erro de 4% põe a disputa no empate técnico.

Aécio Neves, patrocinador do rompimento, deve estar inquieto. Em 1992, ele iniciou sua trajetória eleitoral quase toda vitoriosa. O “quase” fica por conta da derrota que sofreu na disputa para a prefeitura de BH naquele ano. O vencedor foi Patrus.

Crimes de conduta I
Faz um ano que Fábio Konder Comparato enviou representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra o presidente do Congresso Nacional, José Sarney, por não eleger os membros do Conselho de Comunicação Social desde 2006.

Gurgel, a exemplo de Sarney, sentou em cima em vexaminoso gesto de desrespeito à sociedade e, também, a um dos mais notáveis advogados brasileiros. Ou essas referências não importam a esses dois senhores?

Crimes de conduta II
Comparato desdenha sobre ele próprio e prefere constatar aborrecido para, em seguida, ironizar: “O presidente do Congresso Nacional está em mora de convocar eleição para o preenchimento dos cargos naquele Conselho. Terá esquecido esse seu dever de ofício? Nenhum assessor o advertiu a respeito?”

Sarney e Gurgel incorrem em atos de deslavada improbidade administrativa.

 

Perdas e ganhos

O Exército, antes de se retirar da missão, fez o balanço dos 20 meses que passou no Morro do Alemão, no Rio: prendeu ou deteve 733 suspeitos e apreendeu 302 carros, 197 motos e 215 quilos de drogas, entre outras coisas.

Cabe fazer, no entanto, o levantamento dos danos visíveis e invisíveis para a instituição e para a Constituição. Visível foi o fato de o Superior Tribunal Militar aceitar denúncia contra um oficial, acusado de furtar uma chopeira e dois aparelhos de ar-condicionado da casa de um traficante. Os problemas, nesse sentido, são muitos.

A parte invisível é exposta pelo procurador militar João Rodrigues Arruda, autor do livro O Uso Político das Forças Armadas, referência fundamental para entender o problema. Diz ele:
“A data é para ser lembrada pela retomada da área pelo poder público e, também, pelo fim da intervenção militar no estado”.

O uso do Exército, como foi feito, deveria ser precedido por decreto presidencial e, no máximo de 24 horas, ser submetido ao Congresso. Sem isso, a Constituição foi estuprada. Valeu a pena?

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