Você está aqui: Página Inicial / Política / Governo abrirá processo de inidoneidade contra Delta

Política

Cachoeiroduto

Governo abrirá processo de inidoneidade contra Delta

por Redação Carta Capital — publicado 21/04/2012 18h14, última modificação 22/04/2012 15h22
Empresa, acusada de ligação com Carlos Cachoeira, teve aditivos em cerca de 57% dos contratos com o Dnit
MARACANA AEREA (MAR-12)

Foto: Governo do Rio de Janeiro

A Controladoria-Geral da União (CGU) deve instaurar na segunda-feira 23, segundo o jornal Folha de S.Paulo, um processo administrativo de inidoneidade contra a Delta Construções. A empresa, acusada de integrar o esquema do bicheiro Carlos Cachoeira (leia mais ), é a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tendo recebido no ano passado mais de 850 milhões de reais em contratos com o governo federal.

A ação pode impedir a Delta de firmar novos contratos com órgãos públicos e levar à suspensão dos acordos em vigor.

O ministro da CGU, Jorge Hage, disse ao jornal que o processo será aberto em função dos indícios de irregularidades encontrados na Operação Mão Dupla da Polícia Federal no Ceará, em 2010.

A investigação prendeu servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e funcionários da Delta sob a acusação de pagamento e recebimento de propina, além de desvio de recursos de obras públicas.

Segundo Hage, as irregularidades se limitavam ao Ceará, mas a Operação Monte Carlo indica problemas semelhantes em outras regiões do País. Por isso, após reunião com a Casa Civil na sexta-feira 20, foi formada uma comissão para analisar a idoneidade da empresa.

Caso declarada inidônea, a empresa ficará impedida de realizar novos contratos com órgãos públicos. O tempo da proibição será definido pela comissão.

Outra reportagem deste sábado 21 da Folha traz trechos de gravações da PF nos quais Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, comemoram a vitória da empresa em uma licitação de abril de 2011 para a construção do centro tecnológico da Caixa Econômica Federal em Brasília. A obra é avaliada em 69,7 milhões de reais.

Em meio às suspeitas de irregularidades, o diário O Globo divulgou neste sábado que a Delta enfrenta dificuldades para conseguir crédito por causa do suposto envolvimento da construtora com Cachoeira. Nesta semana, o dono da empresa, Fernando Cavendish, disse que o escândalo fará a Delta "quebrar".

Por isso, a empresa teria a intenção de deixar o consórcio responsável pelas obras da reforma do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, palco da final do mundial de futebol de 2014.  A Delta detém 30% do capital do consórcio e as sócias Odebrecht Infraestrutura e Andrade Gutierrez, 49% e 21%, respectivamente.

A empreiteira suspendeu nesta semana os aportes para a reforma e deixou de repassar mais de 6 milhões de reais proporcionais à sua participação no consórcio, informa o jornal O Estado de S.Paulo.

A assessoria de imprensa da Delta não confirmou a saída da empresa e o Consórcio Maracanã Rio 2014 comunicou, via assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre o caso porque o governo do estado do Rio ainda não foi comunicado oficialmente sobre o caso.

A participação da Delta no consórcio, segundo O Globo, será comprada pelos dois sócios.

Após a veiculação da informação, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, declarou neste sábado que as obras do estádio não serão prejudicadas.

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Rebelo reafirmou a confiança de que as obras do estádio carioca serão entregues no prazo previsto, em fevereiro de 2013.

Na semana passada, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que, até o fim de abril, a reforma do estádio completará metade do trabalho previsto. A obra tem valor orçado em 850 milhões de reais.

Aditivos

De acordo com dados disponíveis no site do Dnit, cerca de 57% dos 282 contratos da Delta - ativos, concluídos ou suspensos - com o órgão sofreram algum aditivo nos valores. Na lista, constam intervenções de 1996 a 2012.

Ao todo, a empresa recebeu cerca de 4,5 bilhões de reais em contratos com o governo federal neste período. Os aditivos estavam presentes em 160 dos acordos, chegando a um valor de 436 milhões de reais, informa a Folha de S.Paulo.

Os dados incluem valores gastos com obras de manutenção, adequação, duplicação e implantação de estradas.

Segundo o diário O Estado de S. Paulo, uma auditoria de 2010 mostra que dos 926 contratos do Dnit vigentes no ano anterior, 43% sofreram aditivos no preço e 39% aumentaram o prazo de entrega das obras.

A Delta, diz o jornal, utiliza uma estratégia conhecida como "mergulho" para vencer as concorrências. Ou seja, oferece valores abaixo do viável e depois cobra acréscimos para compensar as perdas com o contrato.

O Estado ainda destaca um estudo de 2010 do órgão a mostrar que a empreiteira oferecia, em média, desconto de 16% no valor apresentado pelo Dnit nas disputas. Isso seria o dobro disponibilizado pelas concorrentes.

A atuação da Delta deve ser um dos aspectos averiguados pela Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI), a ser instalada no Congresso nesta semana. A medida visa destrinchar a relação de Cachoeira, acusado de ser sócio oculto da empreiteira, com parlamentares e empresas.

Com informações Agência Brasil.

Atualizado às 15h20 de domingo 22.

registrado em: , ,