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Política

Reflexos da tensão

Garotinho usa crise com Palocci para chantagear governo

por Redação Carta Capital — publicado 02/06/2011 12h00, última modificação 02/06/2011 19h51
As ameaças de deputado fluminense mostram como as suspeitas sobre ministro da Casa Civil deixaram o Planalto refém de sua própria base no Congresso

A crise enfrentada pelo governo federal no caso Palocci deixa o Planalto refém de sua própria base há quase três semanas.

Os efeitos da tensão sobre o ministro da Casa Civil causaram, até aqui, ao menos uma derrota no Congresso – a aprovação, na Câmara, de pontos polêmicos no novo Código Florestal – e levaram neoaliados a colocarem a faca na garganta do governo em troca de benesses. O mais estrondoso deles, para não dizer a principal, é Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-governador fluminense que já foi acusado de corrupção eleitoral e ligações com o crime organizado (contestadas na Justiça) e sofre franca decadência desde que se aventurou à Presidência, em 2002.

Evangélico, Garotinho assumiu o papel de porta-voz da comunidade religiosa no Congresso e começou a mandar recados ao governo, do qual seu partido faz parte da base aliada, ameaçando causar problemas caso fosse prosperassem as tenativas de criminalizar a homofobia no País. Até mesmo uma passeata com religiosos foi organizada em Brasília para pressionar o governo a não levar adiante o projeto que, entre outros pontos, criminaliza discursos contra homossexuais em pregações e cultos.

O ex-governador foi também uma das principais vozes no Congresso que se opunham ao chamado kit anti-homofobia, que continha vídeos e material de apoio a professores da rede pública para orientá-los em casos de manifestação de preconceito nas escolas.

O recuo do governo foi aceito em troca do compromisso da bancada evangélica de não fazer coro aos pedidos para a convocação de Antonio Palocci ao Congresso para dar explicações sobre seu enriquecimento.

Feito o agrado aos evangélicos, o deputado assumiu de vez o papel de chantagista oficial no Congresso. Desta vez, chamando para si a defesa dos interesses de policiais, que esperam a aprovação de uma proposta de emenda parlamentar que cria o piso salarial para os agentes. “O momento político é esse. Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa 20 milhões de reais, que se chama Antonio Palocci. Vamos ver agora quem é da bancada da polícia. Ou vota, ou o Palocci vem aqui”, declarou, durante a semana.

A chantagem pública, até o momento, rendeu uma ou outra crítica de aliados, como o líder do PR na Câmara, o deputado Lincoln Portela (MG), que se limitou a dizer que Garotinho falava por si, e não pelo partido – que, aliás, escolheu seu presidente nacional, Alfredo Nascimento (AM), para o Ministério dos Transportes.

Entre os aliados, coube ao senador Valdir Raupp, presidente do PMDB – maior partido da base e que também passou os últimos dias sinalizando distensões – dizer que a atitude de Garotinho era uma “coisa muito chata”. “Eu acho que não se deve tirar proveito da dificuldade de alguém. É condenável", manifestou Raupp, após encontro de senadores do PMDB com a presidenta Dilma Rousseff.

*Com informações da Agência Brasil

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