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Política

Andante Mosso

Frevo novo

por Mauricio Dias publicado 03/07/2012 10h05, última modificação 06/06/2015 18h26
Presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, quer ampliar alcance do partido e mantem conversas às escondidas com Kassab. Tudo isso visando a presidência em 2018
Eduardo Campos

O governo federal vai ter que se articular para impedir o avanço da dupla Aécio e Eduardo Campos (foto). Foto: Dida Sampaio/AE

A vitória para a prefeitura do Recife é fundamental para o projeto do governador Eduardo Campos, que, como se sabe, vai além de Pernambuco. Para isso, precisa manter o controle da retaguarda e ampliar o alcance nacional do PSB sob o comando, com rédeas curtas, dele.

O foco do partido, a exemplo do PT, são as cidades com população superior a 100 mil habitantes, que representam quase 50% do eleitorado brasileiro. Campos manterá apoio
ao PT no plano nacional até 2018. É, portanto, candidato a presidente pós-lulismo.
Enquanto isso, afina a conversa com Gilberto Kassab, sem conhecimento da deputada socialista Luiza Erundina e do candidato tucano José Serra.

Fator Russomanno I
Intrigante, na nova pesquisa Datafolha, é o aumento súbito de 3 pontos, de 21% para 24% ,
nas intenções de voto para Celso Russomanno, na sondagem induzida e na espontânea pela disputa da prefeitura paulistana.

Essa variação ocorreu no espaço de tempo de nove dias, no qual o fator político badalado pela mídia foi a adesão de Maluf à candidatura de Haddad. Números da pesquisa espontânea ajudam melhor na tradução do resultado.

Serra subiu 4 pontos (13); Russomanno subiu 3 (7); Haddad caiu 1 (3); e Chalita subiu 1 (2). Continuam citados Marta Suplicy (caiu de 6 para 3), o “candidato do PT” (caiu de 3 para 2); Lula (1), Erundina (1) e Maluf (subiu de 1 para 2).

Fator Russomanno II
Tudo indica que Russomanno se beneficiou da fuga das intenções de voto ocorrida entre eleitores de Marta Suplicy e do próprio Haddad. Reação contra a aproximação de Maluf? É possível, mas os votos não foram para Serra e, talvez, reflitam um recado dos petistas ao PT: “Não gostei”.

Esse possível sinal aparece entre os eleitores na faixa de 45 a 60 anos ou mais, que deram uma “saidinha” com outro. No entanto, escolheram Russomanno e não Serra. A rejeição ao candidato tucano na pesquisa induzida subiu de 32% para 35%.

Tirando o capuz
O JB Online lançou no ar uma bomba de efeito retardado. Revelou que, no depoimento
à Comissão da Verdade, o ex-delegado Cláudio Guerra, atuante agente da repressão política
na ditadura, abriu o nome de seis torturadores.

O artefato vai explodir quando a Comissão retirar o capuz que a encobre. Só resta perguntar: até quando a condenada lei da anistia vai proteger esses algozes?

Recado
Paulo Maluf, em campanha, abriu a boca e mandou um recado para os eleitores dele na influente pauliceia conservadora. “Hoje, perto do PT, eu sou comunista.” As pesquisas registram forte reação a essa aliança, buscada pessoalmente por Lula, e só possível após dobrar as aspirações da senadora Marta Suplicy.

Haddad, conceituado acadêmico da USP, além de projetar uma segunda geração de petistas,
é um nome capaz de quebrar a resistência conservadora ao PT. Embora não seja conhecido
de todo o eleitorado, ele tem apenas 11% no ranking de rejeição. Isso é um terço da rejeição sofrida por Serra.

Na teoria, Maluf é, sem dúvida, aliado incômodo para os petistas de estômago mais sensível.
Mostrou, no entanto, que, na prática, pode ser um aliado eficiente.

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Dúvida no ar
O Exército acaba de sofrer mais uma baixa, felizmente não fatal, durante Instrução Especial, com o acidente sofrido pelo capitão Leonardo Abraão Rodrigues, em exercício no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. É longa a lista dos episódios, na terra e no ar, ocorridos ao longo dos últimos anos.

O salto de paraquedas é reconhecido como atividade de risco. Uma versão inteiramente confiável chegada a este colunista aponta para falha na instrução. O capitão, instrutor de salto, teria tido o punho do paraquedas reserva acionado inadvertidamente por um recruta e foi arrastado para fora da aeronave. Há forte possibilidade de o capitão ter batido com a cabeça na fuselagem e, na sequência, descido desmaiado. Essa versão explica as graves fraturas que ele sofreu nos tornozelos.

Acidentes acontecem, mas é preciso saber por que ocorrem, para evitar a reincidência.  Nesse caso há muitas dúvidas no ar. Em razão disso, o procurador-geral da Justiça Militar, Marcelo Weitzel de Souza, deverá designar imediatamente um promotor para acompanhar o Inquérito Policial Militar.

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