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Fogo no Rio Grande do Sul

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 18/09/2009 14h53, última modificação 08/09/2010 14h55
Esta semana, quando se comemora a Revolução Farroupilha, em 20 de Setembro, a governadora por pouco não foi incinerada, literalmente, pela Chama Crioula, na abertura das comemorações.

Esta semana, quando se comemora a Revolução Farroupilha, em 20 de Setembro, a governadora por pouco não foi incinerada, literalmente, pela Chama Crioula, na abertura das comemorações.

Aparecer vestida de prenda provavelmente tenha sido ideia dos marqueteiros que o PSDB importou para cuidar da imagem de Yeda. Mas não precisava pegar fogo.

Dois estados

Como se nada grave estivesse acontecendo, o governo do Estado resolveu colocar em marcha uma campanha de propaganda que, a não ser pelo fato de tentar dourar a realidade, não tem grande relação com ela. Esta semana a Assembleia aceitou o pedido de impeachment de Yeda Crusius, apresentado por 12 entidades de servidores públicos estaduais. Na abertura das solenidades da Semana Farroupilha, o deputado Ronaldo Zulke (PT) fez um discurso que vale a pena conhecer um trecho:

”Pela primeira vez, em mais de um século de república, um governante vai ter iniciado contra si um processo de impedimento no parlamento. Não porque, como insistem em dizer os governistas, a oposição é golpista ou coisa que o valha, mas porque as evidências de que a governadora tem vínculos sólidos com aqueles que, ao que tudo indica, são responsáveis por mais de R$ 300 milhões em desvios de recursos públicos nos últimos seis anos, estão explícitas nos resultados das investigações que levaram a cabo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.”

A realidade negada

De fato, é disso que se trata. Conforme os relatórios da PF e do MPF, Yeda sabia da corrupção no Detran, participou e interviu na reorganização do esquema e nada fez para apurar denúncias e corrigir desvios éticos de assessores diretos de seu governo. São acusações que têm ficado sem resposta.

O comportamento da imprensa gaúcha neste momento é lamentável. Todo o esforço é para sonegar da sociedade os motivos pelos quais a governadora é acusada e dizer de antemão que a CPI instalada na Assembleia ou o pedido de impeachment não vão levar a nada porque a governadora possui uma maioria no parlamento....

Sinceramente, tem horas que dá vontade de ir pro Uruguai. A crise política no Rio Grande do Sul está se transformando em ópera bufa. Nem teatro gaudério o pessoal acerta.

Vale o trocadilho aquele: se não fosse trágico, seria cômico!