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Fernando Collor vive e luta

por Celso Marcondes — publicado 09/03/2009 16h11, última modificação 23/08/2010 16h12
O processo de “renovação” iniciado no Congresso Nacional com as eleições de Michel Temer e José Sarney continua.

O processo de “renovação” iniciado no Congresso Nacional com as eleições de Michel Temer e José Sarney continua. Agora, quem voltou por cima foi Fernando Collor. Graças ao apoio do PMDB, em aliança com o DEM, o senador alagoano, hoje no PTB, assumiu a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado. Foram precisos 13 votos, contra os 10 da senadora Ideli Salvatti, do PT.

Foi mais uma vitória do PMDB, esta coordenada diretamente por Renan Calheiros e pelo ministro José Múcio (PTB), das Relações Institucionais. E mais uma derrota do PT, que a cada dia que passa vê mais gordo o seu principal aliado na base governamental. Para quem não sabe a importância da tal comissão, basta dizer que sua principal atribuição será acompanhar no Senado as obras do PAC, eixo estratégico de ação do governo federal.

Assim como Temer e Sarney, a dupla Collor/Renan ressuscitou. Na política brasileira, quem é vivo sempre reaparece. Quem é esperto e sabe manter sólidos seus laços na corporação, estes, então, nunca morrem.

O senador Aloizio Mercadante, muito irado, registrou sua opinião: “Foi uma aliança espúria (PMDB + PTB, da base aliada, + DEM, da oposição mais ferrenha) que interferiu no direito legítimo e democrático do PT”. Disse isso porque, regimentalmente, em função do tamanho da sua bancada, o cargo deveria ser “naturalmente” cedido ao PT.

A pouco mais de um ano e meio das eleições presidenciais de 2010, tudo indica que nada mais será “natural” em Brasília. O “toma lá da cá” define a regra do jogo. Neste caso, o PTB cobrou a fatura e levou: ganhou o cargo em função do apoio que deu a Sarney para a presidência do Senado.

Senador desde 2006, Fernando Collor é dos mais ausentes em Brasília. Em menos de três anos já gozou de duas licenças do mandato. Quarta-feira, nos noticiários televisivos, cercado de microfones como há muito tempo não se via, ele dizia: “Minha principal missão será ajudar nas obras do PAC”.

Antes, reagia às colocações de Mercadante: “Aliança espúria? Ele que vá procurar para saber onde vai achar”, esbravejou, sem dizer o lugar onde pensou que Mercadante deveria ir procurar (mas, com um pouco de imaginação, dá para supor).

Cassado da presidência da República em 1992 e reintegrado ao jogo político quatorze anos depois, em 2006, quando foi eleito para o Senado, Collor ocupa agora um cargo importante. Totalmente grisalho, voz não tão forte como antigamente já provou que tem bons amigos e que pode reatar com ex-adversários. Sarney é um deles. Outros poderão ser localizados dentro do governo federal, que ainda não lamentou a derrota de Ideli.

Espera-se que também não lamente futuros entraves que obras do PAC enfrentem ao serem discutidas no Congresso.