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Política

Andante Mosso

Fatalidade

por Mauricio Dias publicado 07/05/2012 10h28, última modificação 07/05/2012 10h28
O colunista trata do vídeo que relaciona Sérgio Cabral com Fernando Cavendish, da empreeiteira Delta, e da rejeição de Gurgel para compor a CPI de Cachoeira
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Festança. A turma de Cabral e Cavendish se esbalda

Os principais pontos da política brasileira da última semana:

Fatalidade I
Garotinho, ex-governador do Rio, fez do atual governador, Sérgio Cabral, alvo permanente. Atirou tanto e tão obsessivamente que, finalmente, acertou ao postar, recentemente no blog, vídeos que devassam a amizade de Cabral com Fernando Cavendish, da empreiteira Delta.
Vítimas políticas agora, eles viveram juntos dramas pessoais, em 2011, decorrentes de um desastre aéreo na Bahia, no qual morreram a namorada do filho de Cabral, Jordana Kfuri, mulher de Cavendish; além de Luca, filho de outra relação dela. Luca era neto do poderoso e discreto José Luiz de Magalhães Lins.

Fatalidade II
Quem é Lins? “É o ausente mais presente do Brasil.”

Ele é apresentado assim pelo advogado Jorge Serpa, eminência parda da política brasileira dos anos 1960 até a morte do empresário Roberto Marinho (1983).

Fatalidade III
Os vídeos, bem explorados, estimulam o pedido de convocação de Cabral para depor na CPI, em virtude, principalmente, da relação de Cláudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

As imagens favorecem especulações, mas não provam que essa relação entre Cavendish e Cabral tenha sido fator de favorecimento dos negócios do empreiteiro no Rio.

Fatalidade IV
Pergunta-se nos meios políticos sobre o motivo da divulgação dos vídeos feitos com dois celulares. Provavelmente de Cavendish e de Jordana, posteriormente baixados em um computador.

Por que o “furo” foi dado a Garotinho? Para tudo parecer fruto de rixa política? O material, no entanto, foi realçado no Jornal Nacional com crédito para o ex-governador, que cultiva ódio político pelo Sistema Globo e vice-versa.

Só o pedido de alguém com muito poder e intimidade com os Marinho conseguiria isso, é o que se diz. Cabral tem repetido que não mistura “amizade com interesse público”. Ao contrário dele, porém, há quem seja capaz de fazer esse mexido.

Deu zebra
Diálogo a ser decifrado na CPI mista travado entre Cláudio Abreu, diretor da empreiteira Delta para o Centro-Oeste, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, extraído das gravações implacáveis da Polícia Federal:

“Nós temos que comprar um avião para nós, bicho”. Nós quem, cara-pálida?

Agenda pesada
Parece completa, antes do fim do primeiro semestre, a agenda política de 2012. E os temas em pauta são pesados.

Além da CPI do Cachoeira, da expectativa do julgamento do dito “mensalão” e dos preparativos para as eleições municipais, ainda se espera pela instalação da Comissão
da Verdade.

Gorjeio de Gurgel

Roberto Gurgel, o procurador-geral da República, rejeitou o convite para falar como convidado na CPI do Cachoeira. Alegou que, ao comparecer como testemunha, ficaria impedido, posteriormente, de atuar como titular da ação penal.

Renomados advogados dizem, porém, que isso só teria sentido se Gurgel tivesse testemunhado os fatos em apuração. O que parece não ter ocorrido.

A manifestação do procurador sobre o crime em investigação não gera suspeição para futuro oferecimento de denúncia.

E ainda que Gurgel tivesse testemunhado alguns dos crimes na pauta da CPI, bastaria a designação de um subprocurador para substituí-lo no processo.

Viés lulista
Só após assumir a Presidência, Lula encontrou a linhagem política da qual verdadeiramente faz parte: o trabalhismo. Assim que Carlos Luppi começou a escorregar do Ministério do Trabalho, o ex-presidente deu a dica para Dilma: Brizola Neto.

Havia inquietação no Planalto com a inexperiência dele. Entretanto, sem comando no ministério, a infidelidade da bancada do PDT na votação do Código Florestal amadureceu a decisão de Dilma. Os infiéis não contaram com Brizola Neto. Ele desafiou o comando do partido que o avô dele, Leonel Brizola, fundou.

Ele torna-se o mais novo ministro do Trabalho na história republicana. Supera João Goulart, que assumiu a pasta três meses e meio após fazer 34 anos. Faltam cinco meses para Brizola Neto atingir essa idade.

Jango ficou poucos meses no cargo. Não por imaturidade, e sim por propor um aumento de 100% no salário mínimo, então, inteiramente defasado. Gerou forte reação do patronato. Vargas afastou o ministro. Manteve, porém, o porcentual de aumento.

Brizola Neto consolida o encontro de Lula e Dilma com o trabalhismo.