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Familiares cobram segurança

por Gabriel Bonis publicado 08/11/2011 17h56, última modificação 08/11/2011 18h12
Parentes de extrativistas assassinados pedem ao ministro da Justiça agilidade

Cerca de seis meses após o assassinato do casal extrativista José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo no Assentamento Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna, no Pará, os familiares das vítimas enviaram uma carta ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O documento pede maior agilidade na apuração do caso e cobra a adoção de medidas de segurança discutidas na época do crime com o Ministério.

A carta é assinada por Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria, e Claudelice Silva dos Santos, irmã de José Cláudio. Ambas alertam ao ministro que, ameaçadas de morte, foram obrigadas a deixar o assentamento depois do crime.

A reportagem de CartaCapital já havia denunciado as ameaças sofridas por ambas em 31/08. Em conversa com a revista, Laisa disse “saber demais”. “Tinha conhecimento de todas as ameaças.”

A irmã de Maria do Espírito Santo destacou ter registrado um boletim de ocorrência, assim como Claudelice, após as ameaças.

Na época da reportagem, as investigações da Polícia Civil sobre o caso haviam terminado. Por sua vez, os pistoleiros Lindon Jonhson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, suspeitos do assassinato, e o pecuarista José Rodrigues Moreira, mandante do crime, estavam soltos. .

Lais disse a CartaCapital, que recebia recados de pessoas da região pedindo para ficar calada. “Dizem que não é para restar ninguém da ‘raça’ de José e Maria no assentamento”, contou.

A carta ao ministro, cobra a investigação de crimes ambientais no interior do Pará, a garantia da integridade física dos familiares e dos demais integrantes da comunidade e o reordenamento fundiário do Assentamento Praia Alta Piranheira.

Segundo o documento, a presença de uma equipe de policiais da Força Nacional no interior do estado não foi implementada, assim como a retomada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de lotes concentrados ilegalmente. O Ibama também é acusado de não retornar ao assentamento desde o ocorrido.

Os familiares criticam a investigação das mortes e afirmam que outros fazendeiros citados como mandantes do crime "não foram devidamente investigados". Além disso, a não aplicação das medidas prometidas pelo ministério teriam agravado a situação no assentamento.

Cerca de 100 fornos de carvão, informa o documento, voltaram a funcionar dentro da região, há áreas devastadas além do permitido para a agricultura familiar e a extração ilegal de madeira foi retomada.

A carta ainda denuncia que a família de José Rodrigues se apropriou de três lotes na área da floresta.

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