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Toninho do PT

Família tem esperança na PF

por Redação Carta Capital — publicado 12/09/2011 18h52, última modificação 12/09/2011 19h38
Prefeito foi morto há 10 anos e familiares dizem tratar-se de crime político. Se impasse continuar, OEA pode ser acionada

Dez anos após o assassinato do ex-prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, as reivindicações de sua família permanecem ignoradas. A viúva do prefeito assassinado em 10 de Setembro de 2001 ainda pede pela federalização das investigações, sob alegação de que a Polícia Civil de Campinas não tem estrutura para conduzir o caso.

Na maior cidade do interior de São Paulo, o final de semana foi marcado por celebrações em memória de Toninho. Ainda na tarde de sexta-feira 9, um ato ecumênico foi realizado nas proximidades do local onde ocorreu o crime. No sábado 10, dia em que o crime completou uma década, ocorreram atos públicos na Catedral Metropolitana de Campinas.

A viúva do prefeito, Roseana Garcia, se reuniu com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para novamente pedir a entrada da Polícia Federal nas investigações. Gurgel disse que vai analisar o pedido. Declaração semelhante foi dada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estipulou o prazo de 15 dias para dar uma resposta.

A federalização é um pedido antigo da família. Em 2008, o então ministro da Justiça Tarso Genro chegou a concordar com a entrada da PF na apuração dos fatos, mas a determinação emperrou na Procuradoria Geral da República para análises.

Roseana defende que a motivação do assassinato foi política, ao contrário do apontado pelo primeiro inquérito produzido pela Polícia Civil. De acordo com a esposa de Toninho, seu marido, no poder havia oito meses, contrariou os interesses de diversos grupos antes beneficiados por esquemas de corrupção na cidade. Entre eles, ela cita o setor de transportes e a coleta de lixo. No curto período em que esteve à frente do executivo da cidade, Toninho havia deposto na CPI do Narcotráfico (que mencionou Campinas nas investigações) e recebeu um relatório com informações detalhadas acerca das dívidas da prefeitura.

Em entrevista ao site de CartaCapital em novembro do ano passado, a filha do prefeito, Marina Garcia Costa Santos, corroborou a tese de Roseana: “Ficou evidente não tratar-se de crime comum. O meu pai alterou contratos irregulares com empresas de recolhimento de lixo e de terceirização de merenda escolar”, disse à época, quando a Justiça de São Paulo determinara a reabertura das investigações.

O Tribunal de Justiça do estado defendeu a inexistência de provas suficientes para levar a júri Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, apontado como autor dos disparos. O primeiro inquérito elaborado pela Polícia Civil de Campinas diz que Andinho – num Vectra prata com outras três pessoas – abriu fogo contra o prefeito porque o carro do prefeito estava em baixa velocidade e atrapalhava a fuga do grupo criminoso. Andinho está preso e o restante do grupo foi morto em operações policiais.

Apesar da reabertura do caso, a família de Toninho não espera grandes resultados caso o inquérito permaneça nas mãos da Polícia Civil. “Se em nove anos a Polícia do Estado de São Paulo bate o pé na ideia de que foi um crime comum, acho difícil que comecem a trabalhar em outra direção”, disse Marina a CartaCapital, em novembro. A pistola que efetuou os disparos nunca foi encontrada e os promotores que apresentaram a primeira denúncia ao Tribunal de Justiça não estabeleceram motivações no crime.

Diante da lentidão e da recusa das autoridades em trabalhar com a hipótese de razões políticas, a família de Toninho afirmou que prepara uma denúncia contra o estado brasileiro à Organização dos Estados Americanos. Os argumentos serão encaminhados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e defenderão que houve grave omissão do estado brasileiro na condução das investigações. A informação foi divulgada pelo portal UOL.

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