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Política

De quem são os royalties?

Faltou o Cabral

por Edgard Catoira — publicado 18/10/2011 09h43, última modificação 18/10/2011 09h43
Em meio ao impasse sobre royalties e à saia-justa com o Planalto, governador e prefeito do Rio veem Garotinho assumir discurso em defesa do Estado

A família Garotinho: deputado federal Anthony; sua mulher, prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha; e a deputada estadual Clarissa, filha do casal, ao lado de diversos políticos fluminenses (no bom sentido), encabeçaram nesta segunda feira, dia 17, às 17h, na Cinelândia, Centro do Rio, uma manifestação em defesa dos royalties do petróleo do Rio.

A mobilização foi proposta pela prefeita de Campos, importante zona petrolífera do nordeste do Estado do Rio, e reuniu cerca de duas mil pessoas na praça, muitas vindas em cerca de cem ônibus de cidades do interior, para protestar contra a proposta de divisão dos royalties do petróleo, que está sendo discutido no Congresso Nacional e que pode tirar parte da arrecadação dos estados produtores.

O ex-presidente Lula já vetou o projeto e o Congresso vota se derruba ou não o veto. A presidente Dilma Rousseff não entrou no debate e pediu que os governadores interessados busquem acordos com suas bancadas no Congresso.

Louvável e oportunista a iniciativa da família Garotinho, apesar do gosto duvidoso. Rosinha cantou "Para não dizer que não falei em flores” e Anthony discursou como um pastor, arrancando dos presentes na Cinelândia gritos dirigidos à presidente, chamando-a pelo nome, enquanto o ex-governador gritava: “mais alto”. Quem trabalha nas imediações pode afirmar que a mensagem chegou à África, onde está Dilma Rousseff.

Sarcasmos de lado, a briga é importante, mas não o suficiente para atrair para o evento o prefeito do Rio e o governador do Estado, desafetos de Garotinho, tal como aconteceu no ano passado, quando apareceram a esse evento e ficaram calados.

Mesmo assim, o constrangimento está criado: os aliados de primeira hora do Planalto no Rio hoje estão alinhados, ao menos no discurso, com os inimigos de sempre: a família Garotinho, que vê no impasse uma oportunidade de reconquistar o protagonismo político perdido em algum canto dos anos 2000.

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