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Política

Operação Guilhotina

Ex-chefe da polícia civil carioca é acusado de receber propina de milícias

por Redação Carta Capital — publicado 17/02/2011 15h20, última modificação 17/02/2011 15h58
Denúncias chegaram à PF por meio de uma testemunha que passava informações a um dos presos nas investigações da Operação Guilhotina. Da Redação

Denúncias chegaram à PF por meio de uma testemunha que passava informações a um dos presos nas investigações da Operação Guilhotina

Novas denúncias à Polícia Federal aumentam a suspeita sobre a participação do ex-chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, em um amplo esquema de corrupção dentro da polícia. Uma testemunha que passava informações do grupo do delegado Carlos Oliveira, um dos presos na Operação Guilhotina, denunciou à PF que Turnowski, exonerado do cargo na última segunda-feira 14, recebia 500 mil reais por mês de propina de um PM que domina uma milícia em Jacarepaguá e mais 100 mil para não impedir a venda de produtos falsificados no camelódromo Uruguaiana, no centro do Rio. Ele foi substituído pela delegada Martha Rocha.

Segundo reportagem do jornal O Globo nesta quinta-feira 17, o informante passou a colaborar com as investigações da PF depois de ter um irmão assassinado pela quadrilha de policiais corruptos.

Uma outra denúncia, feita pelo delegado Cláudio Ferraz, diretor da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), em depoimento à PF na segunda-feira passada, acusou o ex-chefe da polícia civil de estar envolvido em crimes na favela da Coreia, quando foram roubadas armas dos traficantes que teriam sido repassadas a policias de milícias.

Turnowski, procurado pela reportagem do jornal, negou as acusações e as chamou de absurdas. Ele disse que receber propina de “100 mil é piada” e que esse tipo de denúncia não o atinge.

O ex-chefe da Polícia Civil já foi intimado pela PF duas vezes e tem até esta sexta-feira 18 para prestar depoimento sobre a suspeita de vazamento de informações para presos da Operação Guilhotina e pela acusação de receber propina.

Operação Guilhotina - A Operação Guilhotina, da Polícia Federal (PF), foi responsável pela prisão de policiais militares e civis do Rio de Janeiro envolvidos com traficantes de drogas e armas, participação em milícias, vazamento de informações e exploração de jogos ilegais.

A investigação começou em 2009, com o vazamento de informações de outra operação da policia que tinha o objetivo de prender um dos chefes do tráfico de drogas da Favela da Rocinha (zona sul da cidade). A partir daí, informantes e escutas telefônicas levaram a polícia aos suspeitos.

Entre eles, o delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira, que havia assumido há pouco mais de um mês o cargo de subsecretário de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública.

Já o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, foi exonerado do cargo pelo secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. Em nota, a corporação disse que o desligamento do delegado foi decidido “após os dois concluírem que esta seria o mais adequado para preservar o bom funcionamento das instituições”.

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