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Ex-auxiliar de Agnelo chora e nega aliança com Cachoeira

por Redação Carta Capital — publicado 28/06/2012 18h04, última modificação 28/06/2012 18h24
Na CPI, Claudio Monteiro admite encontros com pessoas ligadas à Cachoeira e à Delta, mas nega irregularidades
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Claudio Monteiro chora durante depoimento da CPI. Foto: Wilson Dias / ABr

Depois de dois dias de tumultos na CPI do Cachoeira, o depoimento de Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), foi menos tenso que o dado por auxiliares do governador de Goiás, Marconi Perillo. Como esperado, Monteiro negou todas as acusações contra ele (as principais são a de chefiar um esquema de jogos ilegais e fazer tráfico de influência). O que não era esperada, entretanto, foi a reação da oposição. Parlamentares do PSDB elogiaram a postura de Monteiro, cujo depoimento foi amplamente favorável ao petista Agnelo.

Durante todo o depoimento, Monteiro pediu provas de seu envolvimento com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Monteiro foi acusado de receber propina no valor de R$ 20 mil, além de mesadas da organização de Cachoeira, e de ter um dos rádios Nextel, que, segundo a PF, foram habilitados pela quadrilha para comunicação interna e tentar escapar dos grampos autorizados pela Justiça. "Tenho perguntado reiteradas vezes e pergunto até hoje: Onde está o rádio? Onde está a gravação de conversa feita com esse rádio?”, insistiu Monteiro. Ele pediu outras provas de seu envolvimento: “Qual foi a licitação que eu interferi, se não sou ordenador de despesas? Qual o tráfico de influência que fiz? Cadê a propina? Cadê a prova de mesada?”

Em seu depoimento, Monteiro admitiu ter recebido o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, mas disse que o encontro foi realizado para tratar da prestação de serviço de coleta e tratamento de lixo, contrato que a empresa tinha por licitação feita pelo governo anterior. "Ninguém sabia àquela época que era uma empresa inidônea", disse. Segundo Monteiro, não houve nenhuma conversa sobre sistemas de bilhetes eletrônicos no transporte público do DF. Escutas telefônicas da PF dão conta de que havia um plano da organização de fraudar licitações nessa área. De acordo com o depoente, duas reuniões ocorreram para tratar de uma reclamação da Delta de que o governo não estava cumprindo sua parte na infraestrutura do processamento de lixo.

O ex-chefe de gabinete do DF disse que tinha um relacionamento superficial com Idalberto Martins, o Dadá, apontado pela PF como espião de Cachoeira. Disse que Dadá o ajudou na campanha e que havia comparecido a um evento promovido por ele em apoio ao handball. Monteiro também admitiu que seu filho, João Cláudio Monteiro, tinha contratos com a Delta para aluguel de veículos destinados ao transporte de resíduos sólidos. No entanto, ele disse que essa prestação de serviço não era de sua responsabilidade no governo e que isso nunca foi discutido com o governo ou com a Delta.

Para tucano, depoimento foi "convincente"

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos oposicionistas mais atuantes na CPI, afirmou que Cláudio Monteiro poderia sair da reunião de cabeça erguida, pois considerou seu depoimento bastante convincente. Sampaio, inclusive, deixou de fazer perguntas ao depoente. O ex-chefe de gabinete de Agnelo chegou a chorar, afirmando que a CPI estava dando oportunidade a ele de se defender diante dos amigos e da família. Ele reiterou que o governo petista não atendeu nenhum pedido relacionado ao esquema de Cachoeira ou da Delta Construções S.A., empresa acusada de envolvimento com o contraventor.

Em resposta ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que citou trechos de interceptações telefônicas sobre pedidos feitos a ele, Monteiro respondeu: “Para haver uma irregularidade tem que haver causa e efeito. Foram feitos pedidos, mas nenhum foi atendido. Não houve o efeito, é isso que me defende.”

Relator diz que quadrilha não se infiltrou no governo de Agnelo

O relator da CPI, Odair Cunha (PT), que foi acusado de direcionar a investigação contra Perillo, disse após o depoimento que a quadrilha de Cachoeira “não se infiltrou no governo do DF”. Segundo Cunha, as duas demandas da organização – sistema de bilhetagem eletrônica no transporte público e serviço de limpeza urbana – não foram atendidas.

“Cláudio Monteiro não recebeu o rádio Nextel [supostamente distribuído por Cachoeira a integrantes do grupo] e sua voz não aparece nas gravações”, acrescentou Cunha. “Apenas há a citação de seu nome. O fato de ele ter comparecido à CPMI e testemunhado é um diferencial muito importante da ex-chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo, que recebeu o rádio, teve a voz gravada e não quis prestar depoimento à comissão.”

No entanto, apesar de isentar Monteiro, o relator acredita que possa ter havido cooptação de outras pessoas do governo do DF por Cachoeira. “Precisamos investigar se outras pessoas não foram corrompidas. O fato de os dois outros depoentes de hoje terem ficado em silêncio é um indicativo de envolvimento.”

Ele se referiu ao ex-assessor da Casa Militar do DF Marcelo de Oliveira, que decidiu ficar em silêncio amparado por habeas corpus concedido pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia, e ao ex-subsecretário de Esportes do DF João Carlos Feitoza, que também tinha habeas corpus, este concedido pelo ministro do STF Marco Aurélio de Mello.

Com informações da Agência Câmara

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