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Política

PM no campus?

Para especialista, treinamento especial evitaria intolerância com estudantes

por Clara Roman — publicado 23/05/2011 18h37, última modificação 23/05/2011 19h15
Após repressão a marcha em SP, Guaracy Mingardi alerta que violência não será repetida com PM no campus caso haja diálogo com estudantes. Por Clara Roman.

Há menos de uma semana, um estudante da Universidade de São Paulo (USP) foi assassinado no estacionamento de sua faculdade. Em resposta, movimento encabeçado por alunos da Faculdade de Administração e Contabilidade (FEA-USP) – onde a vítima estudava – começou a exigir mais segurança na universidade.

A inscrição “PM no Campus” tornou-se lema desses alunos, revoltados com a insegurança que dizem vivenciar na universidade. A presença ostensiva da Polícia Militar na universidade, ideia rechaçada por parte da comunidade acadêmica - - passou a ser admitida e até exigida por setores da USP. Na sexta-feira 20, o Conselho Gestor da Universidade aprovou uma proposta para a entrada efetiva de policiamento no Campus.

No sábado 21, no entanto, uma mostra de que o encontro entre policiais e estudantes nem sempre é pacífico: durante a manifestação da Marcha da Maconha, movimento que defende legalização da maconha no país e composto em grande parte por universitários, foi reprimido de forma com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha pela Policia Militar.

A reação coloca novamente em debate uma questão: a PM está preparada para lidar com estudantes? A entrada da corporação na universidade possibilitaria a repressão de manifestações como as que ocorrem com freqüência no campus?

Para Guaracy Mingardi, cientista político especialista em segurança pública, a PM que atua dentro da Universidade necessita de treinamento especial. Segundo ele, a segurança deve ser feita pela Policia Comunitária, especializada nesse tipo de situação. “A polícia não deve interferir nas questões universitárias. O policiamento preventivo é feito pela Policia Militar. Não há como mudar isso sem mudar a lei”, explica ele.

Para o especialista, a Guarda Universitária deve sincronizar seu trabalho com o da PM, de modo que a polícia só seja chamada em situações de violência. Mesmo assim, sob ordens da reitoria.

“A polícia que reprimiu a manifestação de sábado é a Tropa de Choque, utilizada em manifestações e jogos, para contenção de torcida”, diz. Esse tipo de contingente não seria, segundo ele, adequado para a ronda cotidiana. “A repressão a manifestações dentro da USP só ocorre quando o reitor chama a Tropa de Choque”.

Em 2009, a então reitora Suely Vilela acionou a PM para retirar os estudantes que se manifestavam contra sua gestão após ocuparem a reitoria, episódio que também terminou em ação violenta.

Para que ações violentas não se repitam, o especialista defende que a atuação seja regida pelo diálogo com a comunidade acadêmica. Para Mingardi, o policial não deve, inclusive, reprimir usuários de maconha, dentro e fora da universidade, caso haja flagrante.

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