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Escândalo derruba cúpula da polícia

por Redação Carta Capital — publicado 18/07/2011 07h00, última modificação 06/06/2015 18h16
Comando da polícia londrina renuncia após ter seus nomes relacionados com um ex-editor do tabloide de Rupert Murdoch
News of the World

Os dois primeiros no comando da polícia londrina renunciaram após terem seus nomes relacionados com um ex-editor do tablóide News of the World. Foto: Adrian Dennis/ AFP

O escândalo envolvendo o tablóide britânico News of the World, do magnata das comunicações Rupert Murdoch, derrubou os primeiros agentes públicos desde o surgimento das notícias sobre os grampos que abalaram a Grã Bretanha. Os profissionais do jornal são acusados de terem acessado ilegalmente mensagens de celulares de mais de 4 mil pessoas, entre celebridades e vítimas de tragédias – como o atentado terrorista no metrô de Londres e familiares do brasileiro Jean Charles – em busca de informações exclusivas para reportagens.

No domingo 17, o chefe da Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, Paul Stephenson, renunciou ao cargo. Stephenson, lembrou a BBC, deixou o cargo após a revelação de que a polícia havia contratado como consultor um editor-executivo do tabloide, Neil Wallis, também implicado no escândalo dos grampos.

Na segunda-feira 18, o comissário assistente da Scotland Yard e número dois no comando da organização, John Yates, também não resistiu à pressão e se demitiu. Ele também vem sendo questionado sobre a maneira como lidou com o escândalo dos grampos e sua relação com Wallis.

Na avaliação do site BBC Brasil, a situação elevou ainda mais a pressão sobre o primeiro-ministro britânico, David Cameron. Isso porque um dos ex-editores do jornal varrido pelo escândalo, Andy Coulson, era porta voz do premiê até janeiro deste ano.

As novas revelações deram munição à oposição. Ainda de acordo com a BBC, lideranças do Partido Trabalhista pretendem questionar acerca de sua decisão de contratar Andy Coulson como porta-voz mesmo após as primeiras revelações de escutas ilegais.

Cameron afirmou respeitar a decisão de Stephenson de deixar o cargo e pediu que a polícia metropolitana siga fazendo "todo o possível" para continuar com as investigações sobre os grampos.

Também no domingo, uma ex-editora do News of the World, Rebekah Brooks, foi detida em razão dos escândalos, mas logo em seguida foi libertada sob fiança após prestar depoimento sobre o caso.

Brooks renunciou na sexta-feira ao cargo de presidente-executiva da News International, braço britânico do grupo de Rupert Murdoch – que conta ainda com veículos como o The Sun, o The Times, o The Sunday Times e a rede de TV Sky.

O escândalo levou ao fechamento do News of the World, que chegava a vender 2,7 milhões de exemplares aos domingos, e circulou pela última vez na semana passada.

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