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Política

Escândalo

Erenice Guerra deixa a Casa Civil. Leia a carta

por Redação Carta Capital — publicado 17/09/2010 09h00, última modificação 17/09/2010 10h40
Miriam Belchior, secretária de Articulação e Monitoramento da Casa Civil e coordenadora executiva do PAC, deve assumir o cargo
Erenice Guerra deixa a Casa Civil. Leia carta de demissão

Substituto será escolhido na semana que vem. Interinamente assume o secretário executivo da Casa Civil Carlos Eduardo Esteves Lima

[Republicada no dia 17 de setembro]

Depois das denúncias envolvendo Israel Guerra, seu filho, a ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra pediu demissão do cargo nesta quinta-feira. A decisão foi anunciada oficialmente à imprensa, pelo porta-voz da presidência Marcelo Baumbach pela rede NBR de televisão. Baumbach leu a carta de demissão da ministra em que ela nega as acusações e diz ter "saído do cargo para se defender".

O novo substituto, interinamente, será Carlos Eduardo Esteves Lima, secretário-executivo do ministério. Na semana que vem deve ser anunciado o substituto definitivo. Miriam Belchior,secretária de Articulação e Monitoramento da Casa Civil e coordenadora executiva do PAC, é a mais cotada para ficar na pasta. Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da presidência da República, também é lembrado.

Israel está envolvido no escândalo de tráfico de influência, que viabilizava negócios em órgãos do governo federal por intermédio de sua empresa de consultoria. A denúncia foi feita pela revista Veja no último sábado. Nesta quinta-feira 16, a Folha de S.Paulo traz nova denúncia, desta vez a envolver o filho da ministra em caso de tráfico de influências junto ao BNDES.

O jornal Folha de S.Paulo publicou nesta quinta-feira 16 entrevista com Rubnei Quícoli, consultor da empresa EDRB, especializada em energia. O consultor afirma que a empresa de Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, teria pedido 40 mil reais mensais, durante seis meses, para facilitar um financiamento no valor de 9 bilhões de reais junto ao BNDES. Além do valor, seria cobrada uma comissão de 5% sobre o total do dinheiro. O consultor ainda acusa Marco Antonio Oliveira, ex-diretor dos Correios, de ter cobrado 5 milhões de reais para “pagar a dívida lá que a mulher de ferro tinha”.

Leia a íntegra da carta de demissão:
Senhor Presidente,

Nos últimos dias fui surpreendida por uma série de matérias veiculadas por alguns órgãos da imprensa contendo acusações que envolvem familiares meus e ex-servidor lotado nesta Pasta.

Tenho respondido uma a uma, buscando esclarecer o que se publica e, principalmente, a verdade dos fatos, defrontando-me com toda sorte de afirmações, ilações ou mentiras que visam desacreditar meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo.

Não posso, não devo e nem quero furtar-me à tarefa de esclarecer todas essas acusações e nem posso deixar qualquer dúvida pairando acerca da minha honradez e da seriedade com o qual me porto no serviço público. Nada fiz ou permiti que se fizesse, ao longo de 30 anos da minha trajetória pública, que não tenha sido no estrito cumprimento de meus deveres.

Prova irrefutável dessa minhas postura é que já solicitei à Comissão de Ética a abertura de procedimento para esclarecimento dos fatos aleivosamente contra mim levantados, à Controladoria-Geral da União a auditagem dos atos relativos à ANAC, dos Correios e da contratação de parecer jurídico da EPE, além de solicitar ao Ministério da Justiça a abertura dos procedimentos que se fizerem necessários no âmbito daquela Pasta para também esclarece os citados fatos.

No entanto, mesmo com todas essas medidas por mim adotadas, inclusive com a abertura dos meus sigilos telefônico, bancário e fiscal, a sórdida campanha para desconstituição da minha imagem, do meu trabalho e da minha família continuou implacável. Não apresentam uma única prova sobre minha participação em qualquer dos pretensos atos levianamente questionados, mas mesmo assim estampam diariamente manchetes cujo único objetivo é criar e alimentar artificialmente um clima de escândalo. Não conhecem limites.

Senhor Presidente, por ter formação cristã não desejo nem para o pior dos meus inimigos que ele venha a passar por uma campanha de desqualificação como a que se desencandeou contra mim e minha família. As paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo.

Preciso agora de paz e tempo para defender a mim e a minha família, fazendo com que a verdade prevaleça, o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil.

Por isso, agradecendo a confiança de Vossa Excelência ao designar-me para a honrosa função de Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, solicito, em caráter irrevogável, que aceite meu pedido de demissão.

Cabe-me daqui por diante, a missão de lutar para que a verdade dos fatos seja restabelecida.

Brasília, 16 de setembro de 2010

Erenice Guerra

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