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Empresas com contratos com a Petrobras pagaram propina, diz revista

por Redaçåo — publicado 06/04/2014 09h10, última modificação 06/04/2014 09h28
Publicação diz que empresa do doleiro Alberto Youssef recebeu valores com ajuda de ex-diretor da estatal
ABr
Petrobras

Empresas com contratos com a Petrobras pagaram propina a doleiro e ex-diretor da estatal, segundo revista

Segundo reportagem da revista Época, publicada no sábado 5, a Polícia Federal apreendeu documentos na operação Lava-jato que indicam o pagamento de propinas por companhias com contratos com a Petrobras. Os valores eram depositados na conta de uma empresa do doleiro Alberto Youssef. As negociações também contariam com a participação do ex-diretor de abastecimento Petrobras Paulo Roberto Costa, preso desde 20 de março.

Segundo a PF, Costa tentou destruir provas da operação. A polícia investiga um esquema de lavagem de dinheiro que poder ter movimentado 10 bilhões de reais em quatro anos.

De acordo com Época, que teve acesso a parte dos documentos apreendidos e a laudos da PF, os pagamentos de propina eram “meticulosamente registrados” e traziam “detalhes técnicos, valores, nomes de lobistas e empresários que participavam do esquema”. Entre os suspeitos de pagar propina estariam empreiteiras com contratos com a Petrobras. Elas teriam depositado dinheiro na conta da MO Consultoria que, segundo a PF, é uma empresa de fachada de Youssef, também preso na operação Lava-jato.

Os pagamentos, diz a revista, ocorreram na gestão de Paulo Roberto Costa. Parte dos depósitos foram feitos pela Sanko Sider, OAS, Galvão Engenharia SA e Jaraguá Equipamentos. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, também publicada no sábado, 34,7 milhões de reais foram depositados por nove fornecedores da Petrobras na conta da MO Consultoria. Duas empresas do empresas do grupo Sanko depositaram quase 26 milhões de reais.

Segundo a Folha, os contratos das supostas consultorias realizadas pela MO serviam para dar aparência legal a subornos. Um laudo indica que 90 milhões de reais passaram pela empresa entre 2009 e 2013. A polícia suspeita que a empresa tenha sido usada para repassar propina para funcionários públicos e políticos.

Um documento obtido por Época aponta que parte do dinheiro era remetido a bancos nos exterior. Segundo a revistam, a PF investiga empresas abertas por Youssef em paraísos fiscais.

Ligações com a Câmara

Reportagem da revista Veja, publicada no sábado, afirma que o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), auxiliou Youssef para a assinatura de um contrato de uma empresa do doleiro com o Ministério da Saúde. Além disso, Vargas teria ajudado o sócio a localizar projetos públicos dos quais  verbas poderiam ser desviadas.

A matéria cita uma interceptação feita pela PF em 19 de setembro de 2013, na qual Vargas e Youssef discutem um contrato que a empresa Labogen, do doleiro, pretendia obter com o Ministério para fornecer remédios. Mas a Labogen precisou buscar parceria com a EMS, uma empresa farmacêutica de grande porte, para fechar o negócio. Essa parceria teria sido impulsionada pelo deputado. A reportagem afirma que o Ministério da Saúde firmou com a Labogen uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP). O Ministério informou que o contrato não foi fechado e negou foi suspenso sem a nenhum repasse de dinheiro público.


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