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Política

Polêmica

Em vídeo, Feliciano busca se defender de acusação de tentativa de estupro

por Redação — publicado 07/08/2016 10h02, última modificação 07/08/2016 20h42
Jovem de 22 anos acusou chefe de gabinete de mantê-la em cárcere privado, para evitar que denunciasse o deputado do PSC
Reprodução

Ao lado da mulher Edileusa, o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) gravou um vídeo no sábado 6 no qual buscou desmentir a acusação de tentativa de estupro feita por Patrícia Lelis, ex-militante da juventude do PSC.

Em meio à polêmica, na qual o chefe de gabinete Talma Bauer teria mantido em cárcere privado a jovem de 22 anos após ela ter feito acusações de assédio sexual, tentativa de estupro e agressão, Feliciano disse no vídeo ter “plena confiança na justiça divina e na justiça dos homens” para inocentá-lo. 

“A justiça dos homens inúmeras vezes me inocentou, mesmo depois de eu ter sido escrachado publicamente”, afirmou. “Pena que quando vão acusar dão apoio total nas páginas de jornal e depois, quando acontece o contrário e a pessoa é inocentada, não dizem mais nada.” 

Ao afirmar que sofre “boataria todo dia”, Feliciano garantiu ter se colocado à disposição da Justiça e se disse vítima de uma emboscada. “Como não conseguem nunca me pegar em nada nesse País, não sou corrupto, não sou uma pessoa má, agora tocaram no meu moral. Mas tenho certeza que a justiça vai vir à tona.”

O deputado do PSC fez ainda um apelo ao público para que não o “condenem antes do tempo”. “Deus é o senhor do tempo. Com o tempo, as provas vão vir, e vocês vão ver que tudo isso não passa de uma grande farsa.”

Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano, foi preso na sexta-feira 5, após acusações de ter mantido em cárcere privado Patrícia. Ele teria coagido a vítima a gravar vídeos em que negava as acusações contra Feliciano. 

Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, a ex-militante da juventude do PSC afirmou que Feliciano a atraiu para seu apartamento funcional, em 15 de junho, e tentou abusá-la.“Ele tentou levantar meu vestido e tirar minha blusa. Como eu não deixei, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, afirmou aos investigadores, segundo o relato do jornal O Estado de S.Paulo

A jovem teria escapado após uma vizinha ouvir seus gritos e tocar a campainha para saber se estava tudo bem. Ainda de acordo com o relato da jovem, a agressão foi relatada à cúpula do PSC no dia seguinte. Ela recebeu, porém, uma oferta de suborno em troca de seu silêncio. A proposta teria sido feita pelo presidente nacional do partido, Pastor Everaldo, que concorreu à Presidência da República em 2014.  

“Embora eu esteja com o coração quebrado e machucado, com a minha família sofrendo, eu não vou julgar essa moça, eu perdoo ela. Embora eu espere que ela seja responsabilizada pela falsa comunicação do crime, eu perdoo”, disse Feliciano em vídeo. 

Trajetória

Pastor da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Feliciano elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2010, com 212 mil votos. No ano seguinte, chegou à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Casa Legislativa, onde destacou-se pela agressiva agenda contra os direitos da mulher e da comunidade LGBT. 

Feliciano fez intensa mobilização pela aprovação do projeto da“cura gay”,  que pretendia autorizar psicólogos a tratar a homossexualidade como doença, na contramão de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. Assumiu, ainda, protagonismo na luta da bancada religiosa contra as propostas de ampliação ao direito do aborto. 

Os holofotes o favoreceram na disputa pelo eleitorado conservador. Nas eleições de 2014, Feliciano quase dobrou o número de sufrágios obtidos do pleito anterior, tornando-se o terceiro deputado mais votado no estado de São Paulo.