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Política

Eleições - 2012

Em debate, Haddad busca confronto com Russomanno

por Piero Locatelli — publicado 25/09/2012 01h29, última modificação 25/09/2012 11h06
Buscando vaga no segundo turno, petista atacou o líder das pesquisas. José Serra (PSDB) preferiu evitar o confronto direto

Disputando uma vaga no segundo turno com José Serra (PSDB), o candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, decidiu partir para o confronto com o líder na intenção de voto, Celso Russomanno (PRB), em debate na noite desta terça-feira 25 na TV Gazeta. Nas duas ocasiões em que teve oportunidade, Haddad fez perguntas diretas a Russomanno, tentando mostrar defeitos na candidatura do rival, . José Serra (PSDB) preferiu evitar o confronto direto.

Um dos temas que Haddad usou para atacar Russomanno foi o transporte público. O candidato do PRB divulga em seu site uma proposta segundo a qual a tarifa de ônibus será cobrada por "percurso utilizado". Haddad repetiu a crítica de que a proposta privilegia as pessoas de bairros próximos ao centro. Russomanno rebateu afirmando que o programa eleitoral do PT “está fazendo uma confusão”. O candidato do PRB disse que a tarifa será de “no máximo três reais” e será controlada “biometricamente”. “É justo uma pessoa que anda dois ou três pontos, por problema de deficiência, pagar 3 reais para andar dois ou três quilômetros? Em todos os países do mundo a tarifa é por quilômetro rodado”. Ao responder, Haddad disse que Russomanno é quem faz “uma grande confusão”. “Os ricos moram em bairros centrais, e os pobres moram na periferia. Você vai pegar dinheiro público para subsidiar a tarifa de quem mora perto. Você vai quebrar o conceito de bilhete único que nós queremos manter”, disse Haddad.

No bloco seguinte, Haddad questionou quanto custaria a proposta feita por Russomanno de aumentar o efetivo da guarda municipal de 6 mil para 20 mil. O candidato do PRB não respondeu a questão inicialmente. Ao ser indagado pela segunda vez, estimou o gasto em 600 milhões de reais. Haddad voltou ao assunto ao responder uma pergunta de Soninha Francine (PPS). “Ele (Russomanno) não terá dinheiro para reajuste dos guardas atuais, não terá recursos para equipar e formar viatura. (Os recursos) vão se esgotar com o pagamento do salário”, disse, numa tentativa de mostrar que a proposta era inviável.

Líder das pesquisas, Russomano foi alvo de diversos ataques. Paulinho da Força (PDT) questionou Russomanno sobre seu voto, como deputado federal, a favor da criação do fator previdenciário em 1999. A regra dificultou a aposentadoria, que hoje leva em conta o tempo de contribuição e a expectativa de vida do segurado. “Nunca votei contra os trabalhadores, votei pela administração e pela governabilidade desse país. Nós precisávamos conter os gastos e foi isso que eu fiz”, disse Russomanno. Ao ser questionado novamente por Paulinho, o candidato do PRB repetiu a mesma frase que usou na semana passada em entrevista à TV Globo, arrancando risos da plateia. “Eu gostaria muito de discutir a cidade de São Paulo.”

Haddad também foi alvo dos candidatos

Candidato do PT, Haddad foi diversas vezes questionado sobre questões político-partidárias que envolvem sua sigla. Carlos Giannazi (PSOL) perguntou a Haddad sobre os ataques a Russomanno feitos pelo petista na televisão. “Por que vocês estão começando a criticar o Russomanno, sendo que ele é base de sustentação no governo federal?”, disse Giannazi. Haddad negou estar fazendo ataques pessoais. “Entendo que algumas questões ligadas à candidatura do Russomanno merecem consideração. Por exemplo, a não apresentação de um plano de governo. Não há orçamento de suas propostas, metas quantitativas. Quantos corredores de ônibus ele vai fazer? Quantos CEUs ele vai fazer? É o mínimo que se exige de um candidato.” Em sua réplica, Giannazi disse que a candidatura de Russomanno “representa um subproduto do rebaixamento da política brasileira, e esse rebaixamento foi produzido pelo PT", afirmou.

Soninha questionou Haddad, como de costume, a respeito do chamado "mensalão", que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela citou reportagem da revista Veja, desmentida por Marcos Valério, na qual o publicitário acusava o ex-presidente Lula de comandar o esquema. Haddad minimizou o fato. "Isso foi baseado numa revista semanal sem fonte. E desautorizado pela fonte que eles dizem ter ouvido", afirmou. Soninha voltou a questionar Haddad e ele devolveu citando supostos desvios éticos da atual administração municipal, da qual Soninha participou.

Em seguida, Serra e Soninha, em conjunto, passaram a criticar a nomeação de Marta Suplicy como ministra da Cultura dias depois de a ex-prefeita de São Paulo ter entrado na campanha de Haddad.

Serra evita confronto com Russomano e Haddad

Serra evitou o confronto com os candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Quando podia questioná-los, fez sua pergunta a Paulinho. O candidato se mostrava irritado, de braços cruzados, quando eram feitas críticas a sua gestão inacabada na prefeitura de São Paulo.

Gabriel Chalita (PMDB), como já havia feito em outros debates, escolheu Serra como alvo. O peemedebista questionou Serra sobre “os 200% de aumento aos subprefeitos e funcionários de confiança” na gestão do tucano à frente da prefeitura. Chalita disse que o restante dos funcionários, com exceção dos ligados a educação, tiveram somente 0,01% de reajuste por ano. O tucano respondeu ao peemedebista dizendo que ele foi um “deputado que não é muito aplicado, que integra Comissão de Educação da Câmara e faltou aproximadamente metade das seções. No entanto, teve um salario até mais alto, e os subprefeitos aqui são muito cobrados”. Ao responder outra pergunta, o peemedebista aproveitou seu tempo para dizer que as pessoas deveriam checar “quem faltou mais, se foi o deputado Serra ou se fui eu”. Serra foi deputado entre 1986 e 1990.

No fim do debate, Chalita voltou a questionar Serra, perguntando ao tucano sobre a “máfia das funerárias” na prefeitura. O Departamento de Polícia Proteção à Cidadania abriu investigação para apurar a suspeita de pagamentos de propinas nos serviços funerários na cidade. “Eu quero ver o que vai acontecer de fato na Justiça. Ter processo não significa que haja culpabilidade”, disse Serra.

Antes das eleição, os candidatos em São Paulo ainda devem participar de mais dois debates, um na TV Record e outro na TV Globo.