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Eleição vai para o segundo turno no RS, diz Ibope

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 27/09/2010 11h20, última modificação 27/09/2010 17h02
O crescimento ainda maior de Dilma ainda não teve tempo de ser transferido para Tarso. Esse impulso deve se manifestar nesta reta final

Pesquisa Ibope deste final de semana indica um provável segundo turno na disputa pelo governo gaúcho. Conforme o Ibope, excluídos os brancos, nulos e indecisos, Tarso (PT-PSB-PCdoB) teria 49% dos votos válidos contra 51% dos demais candidatos. Neste cenário, Fogaça (PMDB-PDT) teria 29%, Yeda (PSDB-PP) teria 19%, Pedro Ruas(PSOL), 2% e Júlio Flores (PSTU), 1%. Fogaça e Tarso iriam para a disputa no segundo turno.

A pesquisa, encomendada pelo grupo RBS, teve o campo realizado entre 21 e 23 de setembro (quase os mesmos dias do Datafolha, que deu Tarso no primeiro turno), mostra uma diminuição no número de indecisos. Na induzida, os indecisos diminuíram de 16 para 7%. Mas na espontânea, estes são 26% dos eleitores, o que demonstra que ainda há muita disputa pela frente.

Na eleição presidencial, os números do Ibope dão Dilma disparada, com 49%, seguida por Serra, com 32, e Marina com 10%. Desde agosto, quando ultrapassou Serra pela primeira vez no Rio Grande do Sul, Dilma não para de crescer e Serra de cair.

Uma interpretação dos dados é que os indecisos tendem a se distribuir de maneira desigual na reta final e engrossar as fileiras de Fogaça e Yeda mais que as de Tarso. Se isso ocorrer nos próximos dias, vai se consolidar a tendência da disputa ir para o segundo turno. Outra interpretação é que o crescimento ainda maior de Dilma ainda não teve tempo de ser transferido para Tarso e que esse impulso deve se manifestar nesta reta final.

Oráculos da modernidade - Pesquisas eleitorais feitas para serem publicadas são uma espécie da oráculo da modernidade. Na Grécia, os oráculos eram os intérpretes dos Deuses. Na modernidade, os números das pesquisas pretendem mostrar a vontade do povo.

Gosto de pensar que, diante das pesquisas eleitorais, me comporto como a maioria dos brasileiros: confio desconfiando. Ou seja, levo em conta o que elas dizem, mas mantenho uma razoável distância porque – como é sabido – pesquisa não ganha eleição e, estatisticamente, tenho visto mais erros que acertos.

Profissionalmente, trabalho com pesquisas. Uso as pesquisas para entender melhor uma determinada realidade. Confio nelas porque confio nas pessoas com quem trabalho e porque essas pesquisas são feitas para mim, com o objetivo exclusivo de me subsidiar. Normalmente, utilizo institutos pouco conhecidos do grande público, mas que me fornecem dados valiosos para formular estratégias e desenvolver campanhas.

O problema das pesquisas feitas para serem publicadas é que sempre envolvem um cálculo. Quem as patrocina tem um objetivo ao publicar os resultados. E nem sempre é atender a sede dos leitores por informações acerca da realidade. Muitas vezes, a meta é patrocinar um determinado tipo de percepção.

Na mão dos indecisos - A sorte está lançada. A reta final das eleições no pampa gaúcho será eletrizante. E caso a disputa vá para o segundo turno, tudo pode acontecer. Pode se confirmar a tendência atual, que indica Tarso favorito diante de Fogaça, com 49% contra 33%. Ou pode ocorrer o que aconteceu nas três últimas disputas no Rio Grande do Sul. O segundo lugar virou o jogo e ganhou no segundo turno.

Os oráculos gregos falavam de maneira enigmática. No filme “Os 300 de Esparta”, o rei e general Leônidas ignora a determinação do oráculo e diz que vai “passear” com 300 soldados de sua guarda pessoal para enfrentar o exército invasor. Resta saber quem, na eleição gaúcha, vai encarnar o invasor Xerxes e quem será o salvador de Atenas e da nascente civilização ocidental.

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