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Orlando Silva

'É uma fonte bandida'

por Redação Carta Capital — publicado 18/10/2011 16h50, última modificação 19/10/2011 11h05
É o que diz o ministro dos Esportes sobre o policial militar que o acusa de desvios; procurador-geral da República vai investigar o caso

As acusações feitas pelo policial militar João Dias Ferreira sobre uma suposta participação do ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), em um esquema de corrupção na pasta serão investigadas. O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, anunciou a medida nesta terça-feira 18, levando em conta um pedido do acusado e de partidos da oposição.

Gurgel afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que as acusações podem indicar um crime. Porém, reiterou a necessidade de averiguação para se confirmar ou não a veracidade das informações.

Em reportagem da revista Veja, o PM disse que os desvios de verba do programa Segundo Tempo podem ter somado mais de 40 milhões de reais nos últimos oito anos. A matéria ainda aponta que o ministro teria recebido dinheiro do esquema na garagem do Ministério do Esporte.

De acordo com Ferreira, o dinheiro era destinado ao PCdoB, que favorecia a entrada, sem licitação, de ONGs no projeto. As instituições pagavam ao partido 20% dos recursos repassados em propina.

Ferreira, que possui duas ONGs conveniadas do Ministério em 2005 e 2006, alega ter se encontrado com Silva na sede do órgão em março de 2008. No encontro, o ministro teria pedido a ele para não denunciar o esquema.

Orlando Silva alega ter encontrado João Dias apenas uma vez entre o final de 2004 e 2005, a pedido do então ministro do Esporte e hoje governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

O Ministério do Esporte informa que os convênios com as ONGs do policial não foram executados e pede a devolução de 3,16 milhões de reais em repasses. Em 2010, Ferreira foi preso sob a acusação de envolvimento no desvio de 4 milhões de reais de suas ONGs, apontado pelo Ministério Público Federal.

Explicações

O ministro do Esporte pediu uma audiência pública na Câmara para prestar esclarecimentos sobre o caso na tarde desta terça-feira. Na sessão, chamou a reportagem de falsa e Ferreira de “uma fonte bandida”. “Esse desqualificado falou e não provou, porque não há. Quem tem provas do mal feito por ele sou eu, aqui estão os autos do processo do Tribunal de Contas, as provas do desvio de recurso”, disse, referindo-se aos convênios firmados com as ONGs do PM.

Além disso, Silva colocou seus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição e rechaçou qualquer favorecimento ao PCdoB.

O ministro se recusou a assinar um documento da oposição pedindo apoio aos líderes do governo para uma CPI sobre o caso. Segundo ele, essa seria uma responsabilidade do Poder Legislativo e não do Executivo, do qual faz parte.

Alegando inocência, disse estar em um tribunal de exceção, pois importa apenas a denúncia. "Considero muito grave algumas afirmações, de que não importa a apuração, não importa o processo. Acusar alguém e não provar, acusar alguém sem o devido processo é fazer um tribunal de exceção. Isso tangencia para o fascismo.”

Ao mesmo tempo em que ocorria a audiência, os líderes da oposição se reuniam informalmente com João Dias no gabinete do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), segundo o jornal O Estado de S.Paulo. A intenção era manter alguns deputados na Câmara e municiá-los com informações para pressionar o ministro.

No fim da audiência pública, Orlando Silva negou novamente as acusações. “Não há, não houve e não haverá qualquer prova contra mim. Também não há qualquer esquema de caixa dois. Repudio as duas denúncias”, disse.

No entanto, Ferreira alegou ter como sustentar as acusações ao deixar a reunião com a oposição. "Estou tentando revelar um esquema fraudulento no Ministério do Esporte. Vão surgir diversos documentos em breve que vão provar essa situação."

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